O avião é um lugar sem tempo. Nos dias de viagem aérea entre continentes, as horas parecem não ter o mesmo valor. São oito, doze, quinze horas de viagem. Um oitavo do dia passado à espera do voo de ligação. Os fusos horários acentuam a desorientação.
Cheguei a Dallas.
LRO
9.11.09
5.11.09
Sam Amildon, Nico Muhly, Ben Frost & Valgeir Sigurdsson
A falta de disponibilidade de bilhetes vai-me impedir esta noite de estar presente no concerto deste senhores. Em bom português: está esgotado, foda-se!
LRO
LRO
4.11.09
Nico Muhly - Mothertongue
Para quem tem um pingo de rigor nestas coisas da música, o mínimo que se exige é visualizar o vídeo, colocado imediatamente acima destas linhas, numa sala escura com auscultadores e o som nivelado em volume considerável. Uma vez respeitadas estas indicações, ficarão na iminência de serem melhores seres humanos e mais felizes. Este senhor toca amanhã com mais outros senhores no Teatro Maria Matos. Vou tentar estar presente se a disponibilidade dos bilhetes ainda o permitir.
Só me resta desejar-vos boa noite.
LRO
3.11.09
30.10.09
Juro que já tinha pensado na questão exactamente nestes termos
"Alguém me explique em que é que a aprovação de um projecto que anula uma expressão na lei do casamento atrasa o combate à crise económica. A verdade é que o argumento da crise é de uma enorme preguiça intelectual e de uma razoável demagogia. Usa-se a crise para impedir a aprovação de qualquer coisa que nos desagrada sem ter de trocar argumentos sobre ela. Diz-se às pessoas: não gaste os seus neurónios com isto que há assuntos mais importantes na vida.
(...)
Mas o que é mais extraordinário é que, tendo como principal argumento o facto do assunto não ser prioritário, o senhor Bacelar Gouveia, que acha que os deputados não têm legitimidade para cumprir o programa com o qual foram eleitos há dois meses, propõe a realização de um referendo. Ou seja, propõe que o país se mobilize todo para um tema que ele próprio acha, por causa da crise económica, secundário.
Daniel Oliveira in Arrastão
(...)
Mas o que é mais extraordinário é que, tendo como principal argumento o facto do assunto não ser prioritário, o senhor Bacelar Gouveia, que acha que os deputados não têm legitimidade para cumprir o programa com o qual foram eleitos há dois meses, propõe a realização de um referendo. Ou seja, propõe que o país se mobilize todo para um tema que ele próprio acha, por causa da crise económica, secundário.
Daniel Oliveira in Arrastão
LRO
28.10.09
Installations by Architects
"Like paper projects designed in the absence of "real" architecture, installations offer architects another way to engage in issues critical to their practice. Direct experimentation with architecture's material and social dimensions engages the public around issues in the built environment that concern them and expands the ways that architecture can participate in and impact people's everyday lives" continue
LRO
LRO
27.10.09
6-1
Há semanas que ando para escrever umas linhas sobre a avassaladora dinâmica 2009/2010. A prudência alicerçada em anos - muitos - menos felizes de expectativas goradas tem-me mantido afastado desse objectivo. Chegados quase a Novembro a prudência dá lugar à incredulidade: será que... esperemos que sim.
LRO
LRO
Mexican Pavilion for the Venice Biennale
Everyday, someone cleans the marble floors of the Palazzo with a mop dipped in water mixed with the blood found on the site of murders committed during the drug wars in Northern Mexico. How long will traces of it remain on the sole of your shoes? continue
LRO
23.10.09
Rabos de cavalo
Dada a relevância do assunto, já há muito tempo que deveria ter partilhado com todos vocês, caros frequentadores deste pequeno antro virtual, que gosto muito de rabos de cavalo - refiro-me obviamente ao penteado e não à parte anatómica do animal. Considero o dito penteado muito sexy, mas atenção, não é um rabo de cavalo qualquer. Pelo contrário, é um tipo de rabo de cavalo muito especifico e perfeitamente identificado desde a minha adolescência. Qualquer pessoa que se dedique a sério a estudar esta forma de organizar o cabelo sabe que existem fundamentalmente dois tipos de rabo de cavalo: o empinado e o descaído. No primeiro tipo, os cabelos estão impecavelmente apanhados num volume ligeiramente empinado na zona posterior da cabeça. No segundo caso, o cabelo é apanhado na base da cabeça e descai pelas costas. O meu preferido é por demais evidente por razões também elas tão evidentes que me escuso a explaná-las.
Diora Baird
LRO
LRO
Grey House
E assim de repente, sem qualquer aviso prévio, tomem lá um bom projecto para estudarem no fim de semana.
LRO
LRO
Perguntas muito pertinentes sobre o comportamento do ser humano (2)
Porque é que a música urbano depressiva aumenta exponencialmente no éter quando as folhas começam a ficar douradas nas árvores e a chuva aparece com mais assiduidade?
LRO
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Perguntas muito pertinentes sobre o comportamento do ser humano (1)
Porque é que as pessoas têm pavor a estacionar nos pisos mais baixos dos estacionamento subterrâneos? Sobretudo quando a maior parte das vezes isso significa ficar muitos, mas mesmo muitos metros mais perto da porta de saída? A mesma pergunta é válida para os silos automóveis mas neste caso o incómodo não aumenta de cima para baixo mas no sentido inverso.
LRO
LRO
Detida 39 vezes sem carta
"Aparentemente indiferente a estes trâmites processuais, Cristina Araújo chegou ontem à tarde ao tribunal muito sorridente. Em voz alta, dizia no átrio, enquanto bebia um café: "Quem quer aparecer na TV ou no jornal venha para o pé de mim. Isto é tudo meu".
Diário de Noticias
Toda esta inconsciência é muito bonita. É com algum pesar que constato mais à frente na noticia que, quando a arguida chegou dentro da sala de audiências e percebeu que podia voltar à prisão, acalmou um pouco e até foi capaz de reconhecer que não voltaria a pegar no volante de um automóvel enquanto não obtivesse a malfadada carta. O que é uma pena porque assim todos aqueles espectaculares jornalistas que se acotovelavam no tribunal vão ter que se dedicar a outros acontecimentos menos relevantes.
LRO
Diário de Noticias
Toda esta inconsciência é muito bonita. É com algum pesar que constato mais à frente na noticia que, quando a arguida chegou dentro da sala de audiências e percebeu que podia voltar à prisão, acalmou um pouco e até foi capaz de reconhecer que não voltaria a pegar no volante de um automóvel enquanto não obtivesse a malfadada carta. O que é uma pena porque assim todos aqueles espectaculares jornalistas que se acotovelavam no tribunal vão ter que se dedicar a outros acontecimentos menos relevantes.
LRO
20.10.09
Causas e consequências
Existem várias razões para este ser um blog muito fraquinho.
Uma das principais é o tédio que os filósofos franceses me provocam.
Outra é o facto de preferir a ginginha do Rossio à Ler Devagar do Braço de Prata. Imperdoável.
LRO
Uma das principais é o tédio que os filósofos franceses me provocam.
Outra é o facto de preferir a ginginha do Rossio à Ler Devagar do Braço de Prata. Imperdoável.
LRO
19.10.09
Jesper Just
Jesper Just no Centro de Arte Moderna da Gulbenkian. Muito bom. Só até Janeiro. Passa num instantinho. Depois não venham com a conversa do costume que não avisei a tempo e que se intrometeu entre a vossa vida e a exposição o Natal, as farófias e o champanhe. Para os menos rigorosos, há mais vídeos disponíveis deste senhor no youtube. Mas, como diz o anúncio, não é a mesma coisa.
LRO
15.10.09
14.10.09
Vamos fazer o óbvio
Sr. Presidente António Costa,
Agora que as eleições já são passado e os lisboetas lhe deram a maioria absoluta, venho por este meio pedir-lhe que comece a trabalhar por aquelas coisas pequeninas e óbvias. Sim, haverá grandes projectos e planos e estudos e relatórios e discussões e revisões e adendas, mas comecemos pelo óbvio que será mais fácil para todos. A minha lista de coisas óbvias que não acarretam grandes investimentos mas que me iriam dar um grande jeito e, com certeza, a uma franja enorme de lisboetas:
- um único bilhete que sirva para o comboio, o barco, o autocarro, o eléctrico, o metro, a bicicleta, o segway e tudo o mais que houver e que se possa recargar sempre que for necessário independentemente do operador de transportes. Os títulos de transportes existentes no mercado estão quase lá mas é uma estupidez extrema a lenga lenga do se carregou para o barco não dá para o metro e vice versa;
- permissão de elevadores e de alterações controladas no património construído da Baixa, senão não há investidor privado que pegue nos imóveis;
- levantamento dos espaços camarários devolutos e promoção de concursos abertos para a concessão destes espaços para ateliers, galerias, sala de exposições, oficinas, sedes de associações, etc. Concessões por um período máximo de 5 anos para não criar vícios;
- para efeitos burocráticos, divisão da cidade em três grandes zonas: oriente, centro e poente. Abertura de uma loja do munícipe em cada uma destas zonas e transferência de todos os serviços de atendimento ao público para estes locais;
- diminuição do número de Juntas de Freguesia da cidade, actualmente 53, para um máximo de 15, agrupadas também em três grandes conjuntos: oriente, centro e poente;
- todos os formulários, minutas e regulamentos disponíveis online
- concursos públicos abertos para todos os projectos de concepção de espaço público que sejam feitos por equipas exteriores à câmara;
- aprovação ou reprovação dos licenciamentos até um máximo de seis meses desde que o processo dá entrada até ao envio da carta com a decisão de deferimento ou indeferimento;
- taxas pesadas para ocupação da via pública com estaleiros de obra;
- recolha de lixo dia sim, dia não em cada zona da cidade. A maioria dos países da Europa não tem recolha de lixo diária, alguns têm apenas semanal, não há razão para que em Lisboa se processem recolhas diárias com todos os custos associados que acarretam;
Haveria mais, mas por agora se conseguir fazer isto creio que já será um conjunto de grandes passos na direcção certa. Quando a vida me permitir virei a este mesmo palco elencar outra serie de medidas óbvias mas estas já com custos mais elevados que isto é tudo muito bonito mas há coisas que custam muito dinheirinho... Para já é isto.
Estou ao seu dispor,
LRO
Agora que as eleições já são passado e os lisboetas lhe deram a maioria absoluta, venho por este meio pedir-lhe que comece a trabalhar por aquelas coisas pequeninas e óbvias. Sim, haverá grandes projectos e planos e estudos e relatórios e discussões e revisões e adendas, mas comecemos pelo óbvio que será mais fácil para todos. A minha lista de coisas óbvias que não acarretam grandes investimentos mas que me iriam dar um grande jeito e, com certeza, a uma franja enorme de lisboetas:
- um único bilhete que sirva para o comboio, o barco, o autocarro, o eléctrico, o metro, a bicicleta, o segway e tudo o mais que houver e que se possa recargar sempre que for necessário independentemente do operador de transportes. Os títulos de transportes existentes no mercado estão quase lá mas é uma estupidez extrema a lenga lenga do se carregou para o barco não dá para o metro e vice versa;
- permissão de elevadores e de alterações controladas no património construído da Baixa, senão não há investidor privado que pegue nos imóveis;
- levantamento dos espaços camarários devolutos e promoção de concursos abertos para a concessão destes espaços para ateliers, galerias, sala de exposições, oficinas, sedes de associações, etc. Concessões por um período máximo de 5 anos para não criar vícios;
- para efeitos burocráticos, divisão da cidade em três grandes zonas: oriente, centro e poente. Abertura de uma loja do munícipe em cada uma destas zonas e transferência de todos os serviços de atendimento ao público para estes locais;
- diminuição do número de Juntas de Freguesia da cidade, actualmente 53, para um máximo de 15, agrupadas também em três grandes conjuntos: oriente, centro e poente;
- todos os formulários, minutas e regulamentos disponíveis online
- concursos públicos abertos para todos os projectos de concepção de espaço público que sejam feitos por equipas exteriores à câmara;
- aprovação ou reprovação dos licenciamentos até um máximo de seis meses desde que o processo dá entrada até ao envio da carta com a decisão de deferimento ou indeferimento;
- taxas pesadas para ocupação da via pública com estaleiros de obra;
- recolha de lixo dia sim, dia não em cada zona da cidade. A maioria dos países da Europa não tem recolha de lixo diária, alguns têm apenas semanal, não há razão para que em Lisboa se processem recolhas diárias com todos os custos associados que acarretam;
Haveria mais, mas por agora se conseguir fazer isto creio que já será um conjunto de grandes passos na direcção certa. Quando a vida me permitir virei a este mesmo palco elencar outra serie de medidas óbvias mas estas já com custos mais elevados que isto é tudo muito bonito mas há coisas que custam muito dinheirinho... Para já é isto.
Estou ao seu dispor,
LRO
12.10.09
Agradecimento
Devido a vários factores pessoais de ordem tecnica, a urna apta a receber o meu voto encontra-se ainda nos subúrbios de Lisboa. Muitos verão nesta circunstância uma declaração de amor à terra que me amparou a adolescência, à semelhança do que vi por diversas vezes reproduzido nos serviços noticiosos em situações idênticas. Eu chamo-lhe apenas inércia.
Queria, por isso, agradecer a todos os que conseguiram colmatar a minha inércia depositando o seu voto com a cruz noutro quadrado que não o de Pedro Santana Lopes. A todos o meu sincero agradecimento. Prometo que para a próxima semana irei tratar do cartão do cidadão para não vos deixar sozinhos com esta responsabilidade.
LRO
Queria, por isso, agradecer a todos os que conseguiram colmatar a minha inércia depositando o seu voto com a cruz noutro quadrado que não o de Pedro Santana Lopes. A todos o meu sincero agradecimento. Prometo que para a próxima semana irei tratar do cartão do cidadão para não vos deixar sozinhos com esta responsabilidade.
LRO
8.10.09
Victory Gardens
Andei a ler um livro - que só futebol e jornais às vezes também cansa - de uma senhora chamada Amy Franceschini. Artista americana que tem levado a cabo o interessante projecto Victory Gardens 2007+ que tem o seu epicentro nas hortas urbanas e na sua capacidade de produzir alimento e gerar riqueza à margem dos sistemas económicos convencionais. O seu trabalho aborda ainda a horta como catalisador social inter geracional e racial.
Para quem acha que as hortas urbanas são utopias sem sentido ou um mero entretêm de fim de semana para burgueses entediados, o livro tem um interessante capítulo dedicado aos Victory Gardens originais que, basicamente, eram hortas urbanas plantadas e geridas por comunidades urbanas durante a II Guerra Mundial. Estas acções de cultivo eram fortemente incentivadas pelos governos americano e britânico que viam nelas uma forma de aliviar a pressão sobre a cadeia normal de produção de alimentos concentrada no esforço de guerra. O que é absolutamente incrível é a estimativa de que em 1943 estas hortas produziam 8 milhões de vegetais, o que representava cerca de 41% da produção nacional dos Estados Unidos. Repito: quarenta-e-um-por-cento.
LRO
2.10.09
Para acabar a semana
São todas grandes músicas mas, na minha opinião, acima de tudo excelentes vídeoclips. Tomei a liberdade de os ordenar por ordem de preferência - dos videoclips, não das músicas - só porque sim.
Questão existêncial-ó-crítica: será coincidência este trio de vídeos maravilha pertencer à mesma banda?
Obviamente que não.
E o que é que isto significa?
Nada, apenas que os rapazes são muito bons. Queriam o quê, a explicação da teoria quântica de campos nos vídeos dos Justice? Pois.
Esta semana é tudo.
Despeço-me com gratidão.
LRO
1.10.09
Theauteurs.com
Olha que belo cantinho cibernético! Uma página sobre cinema que conjuga limpeza gráfica, facilidade de navegação e actualizações frequentes.Como se não bastasse esta conjugação de rara de beleza ainda se pode ver filmes, deixar críticas, criar lista de filmes visto e por ver e mais uma infinidade de coisas.
Quem é amigo, quem é? Ide ver, mas só quando chegarem a casa, se não deixam o trabalho todo pendurado e nós não queremos isso pois não? Se calhar queremos só que ainda não me informaram. Sei lá...
LRO
Quem é amigo, quem é? Ide ver, mas só quando chegarem a casa, se não deixam o trabalho todo pendurado e nós não queremos isso pois não? Se calhar queremos só que ainda não me informaram. Sei lá...
LRO
Obama - the perfect smile
Barack Obama's amazingly consistent smile from Eric Spiegelman on Vimeo.
On Wednesday, the Obamas hosted a reception at the Metropolitan Museum of Art in New York, during which they stood for 130 photographs with visiting foreign dignitaries in town for the UN meeting. The President has exactly the same smile in every single shot. See for yourself — the pictures are up on the State Department’s flickr. And, of course, compressed into 20 seconds for your viewing pleasure.
descoberto aqui
É tecnicamente impossivel do ponto de vista biológico-emocional manter o mesmo exacto sorriso durante 130 fotografias. Sendo assim, só me resta concluir que o mencionado sorriso é falso e foi colado nas fotografias por algum diligente funcionário da Casa Branca experiente em photoshop.
Isto é grave? Não, mas ilustra o privilégio do estilo em detrimento da substância, marca de água dos tempos em que vivemos.
LRO
30.9.09
Poeira
A intervenção do nosso Presidente fez-me lembrar a poeira que há dias andou a sobrevoar Sydney e arredores e que deu origem a este magnifíco conjunto de fotografias. Ainda por cima a poeira é laranja e tudo.
Sobre este acontecimento era só isto. Com muita pena vossa, vou agora deixar a dissecação do cadáver para os senhores da política e do comentário que eles são pagos para fazer autópsias e eu para fazer coisas bonitas que, até ver, não abrangem o comentário político.
LRO
Sobre este acontecimento era só isto. Com muita pena vossa, vou agora deixar a dissecação do cadáver para os senhores da política e do comentário que eles são pagos para fazer autópsias e eu para fazer coisas bonitas que, até ver, não abrangem o comentário político.
LRO
29.9.09
E o mundo não acabou
Como sempre, a seguir às eleições legislativas não veio o caos, um aumento exponencial de doenças venéreas, a falência da segurança social, do sistema nacional de saúde ou o colapso da economia - ainda que reconheça que tal cenário seria difícil de atingir em meras 24 horas. Os exageros da campanha deram lugar ao vamos lá ver como é que nos organizamos e ao isto era giro era repetirmos já daqui a dois anos outra vez...
A minha mãe descobriu escandalizada que votei na esquerda radical e disse que já tinha idade para ter juízo - entenda-se PS ou PSD. Alguns amigos descobriram desiludidos que votei na esquerda radical pois tinham-me em conta de pessoa mais consequente - entenda-se PS ou PSD. O meu irmão já desistiu de esperar alguma coisa do mano.
Quanto aos resultados. O meu quadrante podia ter garantido mais um punhado de votos que era simpático, mas a subida do CDS-PP não me apoquenta por aí além. A democracia é rotativa, hoje estão estes, amanhã estarão outros e assim é que é bonito, todos têm oportunidade de experimentar. A perpetuação no poder é coisa mais horrorosa a que pode aspirar um político ou um partido, seja ele de esquerda, do centro, de meia direita ou extrema qualquer coisa.
Sempre gostei muito do Ghandi.
O meu irmão é padre.
A minha mãe descobriu escandalizada que votei na esquerda radical e disse que já tinha idade para ter juízo - entenda-se PS ou PSD. Alguns amigos descobriram desiludidos que votei na esquerda radical pois tinham-me em conta de pessoa mais consequente - entenda-se PS ou PSD. O meu irmão já desistiu de esperar alguma coisa do mano.
Quanto aos resultados. O meu quadrante podia ter garantido mais um punhado de votos que era simpático, mas a subida do CDS-PP não me apoquenta por aí além. A democracia é rotativa, hoje estão estes, amanhã estarão outros e assim é que é bonito, todos têm oportunidade de experimentar. A perpetuação no poder é coisa mais horrorosa a que pode aspirar um político ou um partido, seja ele de esquerda, do centro, de meia direita ou extrema qualquer coisa.
Sempre gostei muito do Ghandi.
O meu irmão é padre.
24.9.09
23.9.09
Acho isto tudo muito bonito
Os Sólidos de Arquimedes
Sólidos de Arquimedes ou poliedros semi-regulares são poliedros convexos cujas faces são polígonos regulares de mais de um tipo. Todos os seus vértices são congruentes, isto é, existe o mesmo arranjo de polígonos em torno de cada vértice. Além disso, todo vértice pode ser transformado em outro vértice por uma simetria do poliedro.
Existem apenas treze poliedros arquimedianos.
Onze são obtidos truncando sólidos platónicos:O Tetraedro truncado, o Cuboctaedro, o Cubo truncado, o Octaedro truncado, o Rombicuboctaedro, o Cuboctaedro truncado, o Icosidodecaedro, o Dodecaedro truncado, o Icosaedro truncado, o Rombicosidodecaedro e o Icosidodecaedro truncado.
Dois que são obtidos por snubificação de sólidos platónicos:O Cubo snub e o Icosidodecaedro snub. Estes dois sólidos têm caso isomórfico, quer dizer uma figura de espelho correspondente.Os sólidos duais dos sólidos de Arquimedes são os Sólidos de Catalan.
in Wikipédia
LRO
LRO
Tendências
Agora que passámos dez anos a brincar com as curvas e as bolhas podíamos voltar aos poliedros. Podíamos, não podíamos? Eu vou tentar e depois dou notícias.
LRO
Os portugueses
Se há expressão usada em campanha que sempre me fez comichão no cerebelo é a imortal: os portugueses... Invariavelmente depois destas duas palavrinhas segue-se um chorrilho de desejos, preocupações, ambições. A mim, um português com 31 anos de experiência, nunca me perguntaram que desejos, que preocupações, que ambições me apoquentam a existência para me incluirem sem consulta prévia na onda retórica d'os portugueses... Mesmo tendo em conta que os meus amigos desataram a ter bebés como se não houvesse amanhã, creio que ainda devemos andar, mais milhar menos milhar, algures nos 10 milhões, o que significa também, mais milhar menos milhar, 10 milhões de desejos, preocupações e ambições diferentes ainda que, condescendo, com alguns pontos de contacto. É, portanto, rídiculo usar a expressão os portugueses como referência a um colectivo homogéneo que não existe senão na cabeça do político em campanha e do diligente escriba que lhe escreve os discursos. No entanto, como em todas as regras existe a excepção para sublinhar o acerto da norma. No caso em análise a expressão os portugeses só poderá ser usada com propriedade quando se referir ao Benfica porque - e eu ando na rua a sentir o pulso ao povo - os portugueses querem o Benfica campeão.
LRO
Quase septuagenária
Tenho sido violentamente criticado pelas pessoas - na realidade duas e uma até foi suave na sua observação - por usar como único argumento contra a Manuela Ferreira Leite a sua idade. Tal facto não corresponde inteiramente à verdade - já apresentei outras razões algures lá para trás - mas que considero a idade da senhora o principal obstáculo a um bom desempenho isso confirmo e reafirmo. O cargo pede energia, criatividade e trabalho, trabalho, trabalho... e se alguém acha que uma senhora sexagenária quase a virar septuagenária já no ocaso da sua vida profissional é o ser humano mais indicado para o cargo, então não percebo porque é que a idade da reforma está nos 65 anos. Sinceramente não percebo. Mas como sempre, fico à espera de ser sabiamente elucidado na caixa de comentários.
LRO
22.9.09
Sexagenárias não!
Tem havido uma clivagem clara e objectiva entre o País, que mergulha na campanha eleitoral, e o meu quotidiano composto de alombamento de armários e derivados, bem como, de finalização de projectos vários. Essa notória clivagem entre agenda colectiva e pessoal, tem levado a uma acentuada falta de infomação das propostas, sound bytes e ementa dos diversos candidatos. Isto, associado a alguma ignorância da real politik e à ausência de Pedro Santana Lopes do naipe de escolhas, impedem-me de vos dar aqui e agora uma indicação clara de voto. Pelo facto, peço desde já desculpa a toda essa imensa massa humana que esperava ansiosamente pela minha indicação.
LRO
18.9.09
Do amor
Com dois anos de atraso, dediquei-me ao visionamento de Diving Bell and the Butterfly.
Por esta altura já todos saberão que se trata da história de um boémio editor da revista Elle que, vítima de uma trombose, fica completamente imobilizado à excepção de uma pálpebra. Para além do óbvio - a superação das limitações físicas, a beleza estética das sequências e a claustrofobia da cena de abertura - ficou-me o amor. O amor e a sua ingratidão. É especialmente punjente a cena em que, por circunstâncias várias, Céline - a ex-mulher que o acompanha na doença - é obrigada a transmitir a Inès - a namorada que nunca vemos porque sempre ausente- a declaração de amor de Jean-Do. O amor, até aí latente nos gestos, na entrega e dedicação das mulheres que gravitam à volta do protagonista, emerge de rompante como uma faísca que não se rege pela lei das compensações, do mérito ou do possível. Amamos quem nos incendeia a alma. Ponto.
LRO
17.9.09
16.9.09
Marquises e ceroulas
Venho só aqui de fugida para dizer que, como arquitecto em geral, cidadão em particular e ser humano em específico, não encontro grande lógica, relevância ou interesse no movimento contra as marquises. As pessoas que se apropriem dos edifícios, que cavem neles as marcas da sua intimidade, que a modifiquem, que a habitem. A arquitectura é feita para ser vivida, usada e até, às vezes, maltratada e não para ser emulada pela objectiva do fotógrafo ou aprisionada no ego dos seus autores. A propósito desta problemática de apropriação do objecto construído gostaria de recordar ao caro leitor, caso seja oportuno, uma pequena prosa escrita há mais ou menos um ano por este que agora vos importuna:
Duas Ceroulas ao Sol...
Roupa. Existe lisa, às bolinhas, mais sofisticada, menos sensual, de poliester, caxemira ou algodão… No entanto, seja ela prêt-à-porter ou de gala, necessita de ser lavada. O que significa que, usando amaciador ou dois em um, todo o par de ceroulas terá de secar. E, chegados a este ponto introduzimos uma pequena mas relevante notícia para a prática arquitectónica veículada pela agência Lusa. Se, como é sabido, as grandes mudanças fazem-se anunciar por pequenos sinais, estes vêm para já de Tarragona, Espanha, onde o município fez aprovar uma lei que, e passamos a citar: “para garantir o respeito mútuo e a convivência entre vizinhos - é proibido estender roupa à vista do público, nas varandas e janelas.” Neste momento, já esquecido do suave odor a lavanda das ceroulas, interrogar-se-á o caro leitor: que raio de relevância pode ter uma norma municipal de nuestros hermanos para a prática arquitectónica aqui do burgo? Pois bem, correndo o risco de o desiludir, é a essa ligação improvável que se dedica esta prosa.
Ponto prévio: Portugal é célere na importação de boas práticas, principalmente, se elas vierem em letra de lei e não implicarem mudanças estruturais mas antes proibições e respectivas coimas. Portanto, a questão não será se, mas quando será adoptada tão importante peça legislativa em território luso?
Esclarecido este ponto, avancemos para o âmago da questão: as formas de ocupar e habitar os objectos arquitectónicos – vulgo edifícios - sempre motivaram acesas discussões que navegam no triângulo das bermudas formado pelo egocentrismo de quem projecta, as aspirações individuais de quem é proprietário ou utilizador e o politicamente correcto promovido por essa entidade abstracta e nebulosa que responde pelo nome de opinião pública. Quem projecta bate-se pela preservação de uma imagem inicial que não mostre sinais de colonização da obra por terceiros e perpetue a excelência do seu desenho. O facto de algumas soluções mostrarem ser muitas vezes desadequadas ou de necessidades quotidianas obrigarem a uma customização da obra por parte dos utilizadores, é assunto que não merece muita consideração quando comparado com a importância da preservação da sacrosanta imagem original. A nebulosa e flutuante opinião pública alinha, regra geral, pelo mesmo diapasão da petrificação do edificado, sendo avessa à mudança ou às marcas espontâneas da vida no construído.
Dois grandes tubarões navegam assiduamente neste fórum triângular e, pela preocupação que suscitam aos senhores do projecto e à zelosa massa de cidadãos preocupada com estas coisas da estética, parecem carregar aos ombros décadas de descaracterização do território e do belo edificado nacional. Se o caro leitor, recordando as ceroulas ao vento, identificou a roupa estendida na via pública - ó atentado maldito - como um dos predadores, acertou! O outro é uma verdadeira instituição da construção espontânea portuguesa e dá pelo nome de marquise de alumínio.
Mas o Grande Legislador, sempre atento às necessidades de uma comunidade exigente, prepara-se para resolver de forma impiedosa estas práticas tão ofensivas do bem estar público e da boa arquitectura. Depois da lei esperam-se zelosas brigadas da Polícia Municipal equipadas com poderosos Segways em busca de prevaricadores. Onde durante 60 anos secou a camisola do Eusébio, já não poderá mais secar a camisola do Cristiano Ronaldo por que alguém um dia entendeu que roupa estendida é feio... Feio, diriamos nós, é desperdiçar energia e dinheiro numa máquina de secar para se fazer uma coisa que a cultura popular à muito tinha resolvida com dois paus e um fio.
Uma cidade é como uma casa, precisa das impressões dos seus habitantes cravadas nas suas paredes, no seu chão, nas suas árvores, nos seus bancos... Precisa de testemunhos, de roupa estendida... é importante que o espaço público possa ser objecto da imprevisibilidade, da interacção e das marcas do quotidiano de quem nele habita e não apenas um cenário acéptico que obedece a um manual de condutas castrador.
Mestre Siza, podemos pôr um estendal em Serralves?
Duas Ceroulas ao Sol...
Roupa. Existe lisa, às bolinhas, mais sofisticada, menos sensual, de poliester, caxemira ou algodão… No entanto, seja ela prêt-à-porter ou de gala, necessita de ser lavada. O que significa que, usando amaciador ou dois em um, todo o par de ceroulas terá de secar. E, chegados a este ponto introduzimos uma pequena mas relevante notícia para a prática arquitectónica veículada pela agência Lusa. Se, como é sabido, as grandes mudanças fazem-se anunciar por pequenos sinais, estes vêm para já de Tarragona, Espanha, onde o município fez aprovar uma lei que, e passamos a citar: “para garantir o respeito mútuo e a convivência entre vizinhos - é proibido estender roupa à vista do público, nas varandas e janelas.” Neste momento, já esquecido do suave odor a lavanda das ceroulas, interrogar-se-á o caro leitor: que raio de relevância pode ter uma norma municipal de nuestros hermanos para a prática arquitectónica aqui do burgo? Pois bem, correndo o risco de o desiludir, é a essa ligação improvável que se dedica esta prosa.
Ponto prévio: Portugal é célere na importação de boas práticas, principalmente, se elas vierem em letra de lei e não implicarem mudanças estruturais mas antes proibições e respectivas coimas. Portanto, a questão não será se, mas quando será adoptada tão importante peça legislativa em território luso?
Esclarecido este ponto, avancemos para o âmago da questão: as formas de ocupar e habitar os objectos arquitectónicos – vulgo edifícios - sempre motivaram acesas discussões que navegam no triângulo das bermudas formado pelo egocentrismo de quem projecta, as aspirações individuais de quem é proprietário ou utilizador e o politicamente correcto promovido por essa entidade abstracta e nebulosa que responde pelo nome de opinião pública. Quem projecta bate-se pela preservação de uma imagem inicial que não mostre sinais de colonização da obra por terceiros e perpetue a excelência do seu desenho. O facto de algumas soluções mostrarem ser muitas vezes desadequadas ou de necessidades quotidianas obrigarem a uma customização da obra por parte dos utilizadores, é assunto que não merece muita consideração quando comparado com a importância da preservação da sacrosanta imagem original. A nebulosa e flutuante opinião pública alinha, regra geral, pelo mesmo diapasão da petrificação do edificado, sendo avessa à mudança ou às marcas espontâneas da vida no construído.
Dois grandes tubarões navegam assiduamente neste fórum triângular e, pela preocupação que suscitam aos senhores do projecto e à zelosa massa de cidadãos preocupada com estas coisas da estética, parecem carregar aos ombros décadas de descaracterização do território e do belo edificado nacional. Se o caro leitor, recordando as ceroulas ao vento, identificou a roupa estendida na via pública - ó atentado maldito - como um dos predadores, acertou! O outro é uma verdadeira instituição da construção espontânea portuguesa e dá pelo nome de marquise de alumínio.
Mas o Grande Legislador, sempre atento às necessidades de uma comunidade exigente, prepara-se para resolver de forma impiedosa estas práticas tão ofensivas do bem estar público e da boa arquitectura. Depois da lei esperam-se zelosas brigadas da Polícia Municipal equipadas com poderosos Segways em busca de prevaricadores. Onde durante 60 anos secou a camisola do Eusébio, já não poderá mais secar a camisola do Cristiano Ronaldo por que alguém um dia entendeu que roupa estendida é feio... Feio, diriamos nós, é desperdiçar energia e dinheiro numa máquina de secar para se fazer uma coisa que a cultura popular à muito tinha resolvida com dois paus e um fio.
Uma cidade é como uma casa, precisa das impressões dos seus habitantes cravadas nas suas paredes, no seu chão, nas suas árvores, nos seus bancos... Precisa de testemunhos, de roupa estendida... é importante que o espaço público possa ser objecto da imprevisibilidade, da interacção e das marcas do quotidiano de quem nele habita e não apenas um cenário acéptico que obedece a um manual de condutas castrador.
Mestre Siza, podemos pôr um estendal em Serralves?
(originalmente publicado na revista BlueDesign num número que agora me falha a memória)
LRO
Pequenas estórias deste nosso grande mundo
Samoa passou a guiar ao contrário
(...) Por que razão se circula pela esquerda ou pela direita? Há algum motivo para a Grã-Bretanha e as suas antigas possessões se comportarem na estrada ao contrário do resto do planeta? Bom, há. Nem era preciso que houvesse, porque os britânicos sempre se mostraram muito protectores das suas idiossincrasias - medem em milhas e polegadas, pesam em libras, até bebem cerveja quente... Mas há. E, na verdade, tudo começou pela esquerda.
Na Idade Média, os cavaleiros circulavam pela esquerda dos caminhos porque isso lhes permitia proteger-se com o escudo (colocado no braço esquerdo) de alguma emboscada vinda dos bosques e, além disso, mantinha a mão direita solta para cumprimentar quem se cruzasse com ele na estrada (ou empunhar a espada, caso fosse necessário). Também é mais fácil montar a cavalo a partir da esquerda do animal, usando o braço mais forte (o direito) para nos erguermos. No Japão, um dos poucos países que conduzem pela direita sem ser pela herança britânica, o cenário era semelhante: os samurais davam a sua direita no caminho para que as suas espadas, penduradas à esquerda na cintura, não andassem a ensarilhar-se nas dos outros passantes.
Na Idade Média, os cavaleiros circulavam pela esquerda dos caminhos porque isso lhes permitia proteger-se com o escudo (colocado no braço esquerdo) de alguma emboscada vinda dos bosques e, além disso, mantinha a mão direita solta para cumprimentar quem se cruzasse com ele na estrada (ou empunhar a espada, caso fosse necessário). Também é mais fácil montar a cavalo a partir da esquerda do animal, usando o braço mais forte (o direito) para nos erguermos. No Japão, um dos poucos países que conduzem pela direita sem ser pela herança britânica, o cenário era semelhante: os samurais davam a sua direita no caminho para que as suas espadas, penduradas à esquerda na cintura, não andassem a ensarilhar-se nas dos outros passantes.
LRO
MFL
Manuel Ferreira Leite tem 68 anos - facto comprovado pelo seu nascimento a 3 de Dezembro 1940 - é altamente conservadora - caracteristica que se pode atestar pela sua posição nas temáticas do casamento homossexual, uniões de facto, divórcio e aborto - engole sapos, muitos sapos - basta recordar o Pedro Santana Lopes como candidato à CML, a inclusão do senhor da mala cheia de notas na lista de deputados e o elogio ao Alberto e ao regime da Madeira - tem uma confrangedora capacidade de comunicação - recordar as inúmeras gaffes e a sua performance como ministra da educação e finanças.
Pois bem, é esta senhora, que parece estar sempre cansadita e com vontade de ir ter com os netos e uma chávena de chá, que alguns acreditam que vai pegar no país, pacificar as massas descontentes, apaziguar os barões e os baronetes e com energia e garra nunca vistas colocar o país na senda do sucesso imparável. Hmm... a realidade não parece apontar para esse cenário. E vós sabeis como a realidade pode ser lixada. Isso e uma entrevista do Ricardo Araújo Pereira.
LRO
15.9.09
Do contra
Tenho uma caracteristica que me torna de dificil compreensão para a generalidade dos amigos e não-amigos. Gosto do meu trabalho, do que faço. Cada segunda-feira não é um suplício, as férias não são uma ilha num mar de sangue, suor e lágrimas. Não percebi ainda se padeço de alguma doença grave que me leva a ter prazer onde os outros sofrem, se sou apenas tontinho ou se me devia empenhar em actividades menos do meu agrado para me encaixar de modo mais efectivo nas dinâmicas oratórias da vida em sociedade. Estou indeciso, muito indeciso.
LRO
14.9.09
(Un)Inhabitable? - Art of Extreme Environments
The Maison Européenne de la Photographiein Paris is currently hosting the 10th edition of the Festival @rt Outsiders. (Un)Inhabitable? - Art of Extreme Environments explores the meaning of living in extreme environments.These environments are either those that were, until recently, uninhabited by human beings and that contemporary science and technology is turning into "inhabitable" places (Antarctica, underwater world, outer space, deserts); or they are those that the consequences of man's actions have ruined and made "uninhabitable" for himself but also for other species.
(Un)Inhabitable? - Art of Extreme Environments
Já que ninguém me pagou a viagem para ir a Bristol ver o Banksy, venho agora dar provas da minha generosidade, enquanto ser humano, dando uma nova oportunidades a todos os leitores deste blog de se redimirem da falha mencionada através do pagamento de uma viagem a Paris para poder ver (Un)Inhabitable? - Art of Extreme Environments. Asseguro reportagem extensa e pertinente.
Seguro que o meu pedido será atendido por todos vós.
Atentamente,
LRO
Dias intensos, muita coisa a contar. O mais sensato é recostar-nos a apreciar arte e esperar que o tempo elimine essa necessidade
Isolated Buildings Series . David Schalliol
Quem gostou e queira cultivar-se sobre as imagens e o seu autor poderá ir aqui.
Quem não gostou é parvo.
LRO
9.9.09
Alejandro Aravena
Alejandro Aravena constrói meias casas. Não é surpreendente, por isso, que este arquitecto chileno seja o orador convidado da primeira das Conferências de Lisboa (entre as 15h e as 17h no Teatro Camões, Parque das Nações) da ExperimentaDesign 2009, a bienal de design que começa hoje e que se propõe pensar, entre outras coisas, como é possível fazer mais com menos.
"Fazer metade de uma casa não foi uma opção, foi uma restrição", explica Aravena ao P2 por email. A abordagem do Elemental, o do-thank de que faz parte, é pragmática: se o dinheiro não chega para fazer uma casa de 80 m2, talvez chegue para fazer uma de 40m2. "A nossa reformulação do problema foi considerar 40m2 como metade de uma casa boa." O restante é para fazer mais tarde, pelos próprios habitantes, quando surgir o dinheiro.
"Fazer metade de uma casa não foi uma opção, foi uma restrição", explica Aravena ao P2 por email. A abordagem do Elemental, o do-thank de que faz parte, é pragmática: se o dinheiro não chega para fazer uma casa de 80 m2, talvez chegue para fazer uma de 40m2. "A nossa reformulação do problema foi considerar 40m2 como metade de uma casa boa." O restante é para fazer mais tarde, pelos próprios habitantes, quando surgir o dinheiro.
Público . 09.09.12009
Eu não vi porque tinha afazeres.
Estou triste.
Mas já passa...
LRO
8.9.09
7.9.09
A futebolização da política
Uma das grandes maleitas do sistema democrático (que ainda assim continua a ser o melhor sistema de organização politico/social do mundo e arredores) é o fenómeno da futebolização dos partidos. Passo a explicar: o adepto de um clube de futebol tem uma ligação emotiva com a sua agremiação desportiva. A razão é um elemento ausente na equação adepto/clube, só isso explica que a relação seja para toda a vida e mais seis meses independentemente dos resultados, do mérito, dos corpos directivos ou dos meios disponíveis. O Benfica será sempre o melhor. Ponto final. Nada no futebol obedece à lógica e, por isso, é que a relação entre adepto e clube é tão umbilical e bonita.
Façamos agora o by pass para a política. Os partidos são os clubes da democracia. Certo? Errado. Nada mais errado. Os partidos não podem ser os clubes da democracia porque a democracia não é um jogo. Do seu correcto funcionamento depende o nosso bem estar, a nossa imperial ao fim da tarde ou as férias nas Berlengas. Do Benfica ser campeão não depende ninguém. O índice de fidelidade a um partido devia igualar a capacidade de ser sagaz de uma Paris Hilton ou a habilidade de práticas monogâmicas de Hugo Hefner.
A escolha de um partido deverá obedecer a uma lógica de identificação com pessoas, métodos e prioridades, tudo factores que são variáveis ao longo do tempo. Qualquer pessoa com dois dedos de testa saberá que os mais competentes, os mais inteligentes e os mais honestos da nossa sociedade não se concentrarão apenas num partido e sempre nesse partido. Que uns estarão sempre errados ou menos certos que outros. Tendo esta impossibilidade em mente é me dificil compreender a fidelidade cega a entidades politicas tão abrangentes e tão dadas à asneira como o são os partidos. Se este blog tivesse contraditório este era o momento em que as ideologias surgiriam e eu teria que articular um argumento sobre o tópico. Mas como não existe contraditório, tenho muitos afazeres exteriores à blogosfera e quero limitar-me ao cerne da questão que me trouxe aqui hoje não o irei desenvolver. Sendo assim, o cerne do que hoje vos queria transmitir prende-se com a coerência ou a falta dela. A futebolização dos partidos leva a que os adeptos - peço perdão, os militantes e simpatizantes - sejam intransigentes com acções/situações protagonizadas pelos seus opositores e sejam condescendentes ou até apoiantes fervorosos quando as mesmíssimas acções/situações são protagonizadas pelos seus camaradas.
Um exemplo: a senhora sexagenária que tanto tem falado de asfixia democrática e meios do estado ao serviço de um partido vai à Madeira e tem esta performance.
LRO
Façamos agora o by pass para a política. Os partidos são os clubes da democracia. Certo? Errado. Nada mais errado. Os partidos não podem ser os clubes da democracia porque a democracia não é um jogo. Do seu correcto funcionamento depende o nosso bem estar, a nossa imperial ao fim da tarde ou as férias nas Berlengas. Do Benfica ser campeão não depende ninguém. O índice de fidelidade a um partido devia igualar a capacidade de ser sagaz de uma Paris Hilton ou a habilidade de práticas monogâmicas de Hugo Hefner.
A escolha de um partido deverá obedecer a uma lógica de identificação com pessoas, métodos e prioridades, tudo factores que são variáveis ao longo do tempo. Qualquer pessoa com dois dedos de testa saberá que os mais competentes, os mais inteligentes e os mais honestos da nossa sociedade não se concentrarão apenas num partido e sempre nesse partido. Que uns estarão sempre errados ou menos certos que outros. Tendo esta impossibilidade em mente é me dificil compreender a fidelidade cega a entidades politicas tão abrangentes e tão dadas à asneira como o são os partidos. Se este blog tivesse contraditório este era o momento em que as ideologias surgiriam e eu teria que articular um argumento sobre o tópico. Mas como não existe contraditório, tenho muitos afazeres exteriores à blogosfera e quero limitar-me ao cerne da questão que me trouxe aqui hoje não o irei desenvolver. Sendo assim, o cerne do que hoje vos queria transmitir prende-se com a coerência ou a falta dela. A futebolização dos partidos leva a que os adeptos - peço perdão, os militantes e simpatizantes - sejam intransigentes com acções/situações protagonizadas pelos seus opositores e sejam condescendentes ou até apoiantes fervorosos quando as mesmíssimas acções/situações são protagonizadas pelos seus camaradas.
Um exemplo: a senhora sexagenária que tanto tem falado de asfixia democrática e meios do estado ao serviço de um partido vai à Madeira e tem esta performance.
LRO
6.9.09
É apenas mais uma esplanada, mas...
Aquela que é considerada por muita gente como a melhor esplanada de Lisboa tem os dias contados: a câmara quer substituí-la por "um restaurante de muita qualidade".
No topo de um mercado desactivado situado na Calçada do Marquês de Tancos, nas proximidades da Rua da Madalena e da Baixa, O Terraço tem uma das melhores vistas de Lisboa. O casario e o Tejo estendem-se aos seus pés, para deleite de todos quantos visitam o local. O ambiente descontraído, com puffs, sofás e espreguiçadeiras, fazem o resto.
(...) Mas as obras para reconverter o edifício num silo automóvel e para nele instalar um elevador para facilitar o acesso ao Castelo de S. Jorge foram tardando, e O Terraço foi ganhando fama. Embora ainda não tenha data de arranque, este poderá ser o último Verão do bar. "Haverá 204 lugares de estacionamento, um supermercado no rés-do-chão e, no topo, um restaurante de muita qualidade", explica um dos administradores da Empresa Municipal de Estacionamento de Lisboa, Rogério Pacheco.
Público . 05.09.2009
Aqui está uma noticia do Público de hoje que vem ilustrar as tais prioridades de que tenho falado. Para quem não percebeu a expressão usada por Rogério Pacheco - restaurante de muita qualidade - esclareço que é uma forma airosa de dizer restaurante de luxo, ou seja, uma casa que serve refeições acima de 40€, gratinados com cereja tailandesa e carta de vinhos raros. O que é que eu tenho contra restaurantes com gratinados com cereja tailandesa, carta de vinhos raros e refeições acima dos 40€? Nada, absolutamente nada. O que é que eu penso de um restaurante de muita qualidade no topo do Mercado do Chão do Loureiro? Penso que é um erro.
É notório para quem leu o Plano de Requalificação da Baixa - e eu estou incluido naquela meia dúzia de maluquinhos que leu - que a aposta de quem o produziu passa por instaurar maior capacidade de estacionamento na dita área e criar uma serie de hóteis (sempre de muita qualidade) na maior parte dos edificios nobres desocupados ou em vias de. A intervenção no Mercado do Chão do Loureiro é uma peça desta estratégia elitista.
Quem frequenta a esplanada mencionada na noticia - e eu sou frequentador assiduo - sabe que é uma mais valia para a cidade e apresenta algumas caracteristicas únicas - leia-se somatório vista, dimensão e conforto - na área da Baixa/Castelo, sendo um espaço socialmente eclético frequentado por centenas de pessoas diariamente. Perante este cenário o que é que os senhores do plano sugerem? Um restaurante de muita qualidade que irá servir três ou quatro dezenas de refeições por noite a senhores e senhoras que já têm à sua disposição uma oferta numerosa de estabelecimentos idênticos na área da Baixa/Castelo/Chiado. Retira-se, portanto, um equipamento particular que serve a muitos para o substituir por mais um restaurante que serve a poucos. Porquê? Não sei, mas pergunto-me: é esta desejada Lisboa elitista e chic que vai resgatar os habitantes perdidos e intensificar a dinâmica urbana? Não creio.
LRO
No topo de um mercado desactivado situado na Calçada do Marquês de Tancos, nas proximidades da Rua da Madalena e da Baixa, O Terraço tem uma das melhores vistas de Lisboa. O casario e o Tejo estendem-se aos seus pés, para deleite de todos quantos visitam o local. O ambiente descontraído, com puffs, sofás e espreguiçadeiras, fazem o resto.
(...) Mas as obras para reconverter o edifício num silo automóvel e para nele instalar um elevador para facilitar o acesso ao Castelo de S. Jorge foram tardando, e O Terraço foi ganhando fama. Embora ainda não tenha data de arranque, este poderá ser o último Verão do bar. "Haverá 204 lugares de estacionamento, um supermercado no rés-do-chão e, no topo, um restaurante de muita qualidade", explica um dos administradores da Empresa Municipal de Estacionamento de Lisboa, Rogério Pacheco.
Público . 05.09.2009
Aqui está uma noticia do Público de hoje que vem ilustrar as tais prioridades de que tenho falado. Para quem não percebeu a expressão usada por Rogério Pacheco - restaurante de muita qualidade - esclareço que é uma forma airosa de dizer restaurante de luxo, ou seja, uma casa que serve refeições acima de 40€, gratinados com cereja tailandesa e carta de vinhos raros. O que é que eu tenho contra restaurantes com gratinados com cereja tailandesa, carta de vinhos raros e refeições acima dos 40€? Nada, absolutamente nada. O que é que eu penso de um restaurante de muita qualidade no topo do Mercado do Chão do Loureiro? Penso que é um erro.
É notório para quem leu o Plano de Requalificação da Baixa - e eu estou incluido naquela meia dúzia de maluquinhos que leu - que a aposta de quem o produziu passa por instaurar maior capacidade de estacionamento na dita área e criar uma serie de hóteis (sempre de muita qualidade) na maior parte dos edificios nobres desocupados ou em vias de. A intervenção no Mercado do Chão do Loureiro é uma peça desta estratégia elitista.
Quem frequenta a esplanada mencionada na noticia - e eu sou frequentador assiduo - sabe que é uma mais valia para a cidade e apresenta algumas caracteristicas únicas - leia-se somatório vista, dimensão e conforto - na área da Baixa/Castelo, sendo um espaço socialmente eclético frequentado por centenas de pessoas diariamente. Perante este cenário o que é que os senhores do plano sugerem? Um restaurante de muita qualidade que irá servir três ou quatro dezenas de refeições por noite a senhores e senhoras que já têm à sua disposição uma oferta numerosa de estabelecimentos idênticos na área da Baixa/Castelo/Chiado. Retira-se, portanto, um equipamento particular que serve a muitos para o substituir por mais um restaurante que serve a poucos. Porquê? Não sei, mas pergunto-me: é esta desejada Lisboa elitista e chic que vai resgatar os habitantes perdidos e intensificar a dinâmica urbana? Não creio.
LRO
4.9.09
A caminho da democracia




1. Supporters of Afghan presidential candidate Abdullah Abdullah film his speech with mobile phones at a rally in Kokcha, located in Afghanistan's northern Takhar province August 16, 2009. (REUTERS/Jonathon Burch) #
2. Men cast their ballots at a polling station in Kabul, Thursday, Aug. 20, 2009. (AP Photo/Dima Gavrysh)#
3. A woman walks up to a voting booth at a polling station in Herat, Afghanistan on August 20, 2009. (BEHROUZ MEHRI/AFP/Getty Images) #
4. An Afghani police officer rests his weapon on a ballot at a polling station in Kabul, Afghanistan, Friday, Aug. 21, 2009. (AP Photo/Dima Gavrysh) #
Estas e outras fotografias em tamanho XL no melhor cantinho de fotojornalismo do mundo e quiçá do universo. A quarta imagem é especialmente simbólica.
LRO
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