LRO
9.12.09
Um destaque há muito merecido
'O sentimento de posse é uma tendência suicida. Facilmente aniquila o que quer preservar. Resulta bem com objectos inanimados mas é pouco delicado a pedir a rendição absoluta a quem tem uma palavra a dizer sobre o assunto. Daí que os amantes não tenham nada a aprender com a guerra - entre paredes, a rendição não se ordena, oferece-se. E todos os tratados são condicionados. Tudo o resto é inocência de quem acredita possuir alguém. Quando o mais provável é que lhe tenham entregue um envelope vazio.'
Pedro Jordão . Lonely Hunters
Pedro Jordão . Lonely Hunters
LRO
7.12.09
Sete
E agora que fiz sete magníficas resenhas críticas que se estruturavam todas em três fases e tinham o seu epílogo na palavra caralho, creio ter provado que a inovação no campo da crítica musical é possível. Posto isto, mereço algum descanso.
Até já,
LRO
Até já,
LRO
SBS - resenha crítica #7
LEGENDARY TIGER MAN
O Femina, muito bom álbum resulta mal ao vivo.
Sente-se pouco o contra-ponto das mulheres.
E o gajo tem um mau feitio do caralho!
LRO
SBS - resenha crítica #6
ORELHA NEGRA
A chamada super banda à portuguesa.
Bom set para dançar,
Gostei, caralho!
LRO
SBS - resenha crítica #5
THE INVISIBLE
Grande, grande concerto.
Os melhores ao nível estritamente musical.
Quem são estes gajos caralho?
LRO
SBS - resenha crítica #4
LITTLE JOY
Bom humor e espontaneidade .
Outro grande momento de festa desbragada.
Quem conhece Cake, notará semelhanças e o caralho.
LRO
SBS - resenha crítica #3
BEACH HOUSE
Ao contrário do que o nome indica, são um pouco xoninhas.
Não entusiasmou, mas também não entediou.
Público, esse, é que foi generoso como o caralho!
LRO
SBS - resenha crítica #2
FEDERICO AUBELLE
Um menino muito bem vestido e delico-doce.
Deve ser o orgulho da avó.
Que xoninhas do caralho!
LRO
SBS - resenha crítica #1
EBONY BONES
Alegria e ritmos contagiantes.
Coreografias assaz curiosas.
Que festa do caralho!
LRO
Duas velocidades, uma palavra
Fim de semana a duas velocidades.
Duas noites com concertos a atravessar freneticamente a Avenida da Liberdade de um lado para o outro.
Dois dias entre tintas e lixas a acabar pormenores na casa nova - nunca vos disse que as voltas da vida me levaram a uma casa nova?, pois bem disse-o agora. Oportunamente desenvolverei o assunto.
Como gosto muito de todos vocês, principalmente os que vivem no interior esquecido e ostracizado - isto inclui obviamente o Porto - vou de seguida fazer uma serie de posts com críticas profundas e extremamente objectivas sobre o que me foi dado ouvir nessas duas noites. Para gáudio de todos e por motivos de economia semântica, decidi agora mesmo que todas elas terminarão com o vocábulo caralho.
LRO
Duas noites com concertos a atravessar freneticamente a Avenida da Liberdade de um lado para o outro.
Dois dias entre tintas e lixas a acabar pormenores na casa nova - nunca vos disse que as voltas da vida me levaram a uma casa nova?, pois bem disse-o agora. Oportunamente desenvolverei o assunto.
Como gosto muito de todos vocês, principalmente os que vivem no interior esquecido e ostracizado - isto inclui obviamente o Porto - vou de seguida fazer uma serie de posts com críticas profundas e extremamente objectivas sobre o que me foi dado ouvir nessas duas noites. Para gáudio de todos e por motivos de economia semântica, decidi agora mesmo que todas elas terminarão com o vocábulo caralho.
LRO
4.12.09
A essência do espaço habitável na contemporaneidade urbana segundo o género
E creio que é isto.
Bom fim semana.
LRO
30.11.09
27.11.09
Curvas de poetas
«Não te curves senão para amar»
René Char (poeta)
Parece-me um bom epílogo para esta semana.
Agora vão para dentro que está frio.
LRO
Suaves sextas
Sempre atento às dinâmicas da sociedade contemporânea, só queria referir, sem vos maçar muito, que o tráfego de email diminui de uma maneira parva todas as sextas-feiras que antecedem um fim de semana prolongado. Até agora apenas dois emails entraram na doca. Bem bom.
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Kaputt! + AUZprojekt
Naquela que é provavelmente a pior sala de exposições da cidade - a galeria da Ordem dos Arquitectos - ontem os Kaputt! e os AUZprojekt mostraram boas propostas expositivas. Os primeiros instalaram uma espécie de borboletário alimentado a soro. Uma cápsula onde as maquetes partilham o espaço com flores. Nome da peça: Crisálida. Os AUZprojekt trouxeram uma estrutura articulada formada por portas velhas que serve de suporte à apresentação dos diversos projectos.
A noite reservou ainda uma bela tertúlia informal sobre diferenças geracionais e operativas no campo da arquitectura. A este propósito, ver a nova edição da revista Arq./a dedicada ao tema da Geração Z, que deve sair por estes dias, onde os putos da arquitectura são sovados pelos críticos do regime e incensados pelos outsiders. O costume portanto.
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A noite reservou ainda uma bela tertúlia informal sobre diferenças geracionais e operativas no campo da arquitectura. A este propósito, ver a nova edição da revista Arq./a dedicada ao tema da Geração Z, que deve sair por estes dias, onde os putos da arquitectura são sovados pelos críticos do regime e incensados pelos outsiders. O costume portanto.
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25.11.09
'New York has lost its edge'
'Moss also points out “a weird trend in New York for making a simulacrum of the original.” As an example he mentions the cult punk bar CBGB, once the “home of underground rock”, where Patti Smith, Blondie, Talking Heads and The Ramones have all performed. The venue closed in 2006 and was eventually bought by the high-end men’s fashion designer, John Varvatos, who turned it into a boutique. He’s kept a lot of the original interior, so you feel like you’re walking into a rock ’n’ roll space,” Moss says. “But actually you’re walking into a super high-end boutique that sells $700 Ramones T-shirts.”
Eu andei por lá por estes dias e não podia estar mais de acordo.
LRO
Arrepiante...
... esta lista. Uma falta de tudo, os homens que exercem violência física/psicológica sobre as mulheres. Uma falta de tudo...
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24.11.09
Crónicas do Novo Mundo
Este é um blog espectacular cheio de intenções não cumpridas. Já era tempo de aprenderem a não vir aqui.
LRO
23.11.09
Short and to the point
'One of my heroes is Lieutenant General William Pagonis.
He was the director of logistics for the Gulf War, and was known for his efficiency. He was famous for removing all the chairs in the room, except his, before holding meetings. With everyone else standing up, the meetings were short and to the point. No time was wasted. Now that’s a real War Hero!'
He was the director of logistics for the Gulf War, and was known for his efficiency. He was famous for removing all the chairs in the room, except his, before holding meetings. With everyone else standing up, the meetings were short and to the point. No time was wasted. Now that’s a real War Hero!'
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9.11.09
Crónicas do Novo Mundo #1
O avião é um lugar sem tempo. Nos dias de viagem aérea entre continentes, as horas parecem não ter o mesmo valor. São oito, doze, quinze horas de viagem. Um oitavo do dia passado à espera do voo de ligação. Os fusos horários acentuam a desorientação.
Cheguei a Dallas.
LRO
Cheguei a Dallas.
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5.11.09
Sam Amildon, Nico Muhly, Ben Frost & Valgeir Sigurdsson
A falta de disponibilidade de bilhetes vai-me impedir esta noite de estar presente no concerto deste senhores. Em bom português: está esgotado, foda-se!
LRO
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4.11.09
Nico Muhly - Mothertongue
Para quem tem um pingo de rigor nestas coisas da música, o mínimo que se exige é visualizar o vídeo, colocado imediatamente acima destas linhas, numa sala escura com auscultadores e o som nivelado em volume considerável. Uma vez respeitadas estas indicações, ficarão na iminência de serem melhores seres humanos e mais felizes. Este senhor toca amanhã com mais outros senhores no Teatro Maria Matos. Vou tentar estar presente se a disponibilidade dos bilhetes ainda o permitir.
Só me resta desejar-vos boa noite.
LRO
3.11.09
30.10.09
Juro que já tinha pensado na questão exactamente nestes termos
"Alguém me explique em que é que a aprovação de um projecto que anula uma expressão na lei do casamento atrasa o combate à crise económica. A verdade é que o argumento da crise é de uma enorme preguiça intelectual e de uma razoável demagogia. Usa-se a crise para impedir a aprovação de qualquer coisa que nos desagrada sem ter de trocar argumentos sobre ela. Diz-se às pessoas: não gaste os seus neurónios com isto que há assuntos mais importantes na vida.
(...)
Mas o que é mais extraordinário é que, tendo como principal argumento o facto do assunto não ser prioritário, o senhor Bacelar Gouveia, que acha que os deputados não têm legitimidade para cumprir o programa com o qual foram eleitos há dois meses, propõe a realização de um referendo. Ou seja, propõe que o país se mobilize todo para um tema que ele próprio acha, por causa da crise económica, secundário.
Daniel Oliveira in Arrastão
(...)
Mas o que é mais extraordinário é que, tendo como principal argumento o facto do assunto não ser prioritário, o senhor Bacelar Gouveia, que acha que os deputados não têm legitimidade para cumprir o programa com o qual foram eleitos há dois meses, propõe a realização de um referendo. Ou seja, propõe que o país se mobilize todo para um tema que ele próprio acha, por causa da crise económica, secundário.
Daniel Oliveira in Arrastão
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28.10.09
Installations by Architects
"Like paper projects designed in the absence of "real" architecture, installations offer architects another way to engage in issues critical to their practice. Direct experimentation with architecture's material and social dimensions engages the public around issues in the built environment that concern them and expands the ways that architecture can participate in and impact people's everyday lives" continue
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27.10.09
Dos jornais
Mentem.
Manipulam.
Continuo a gostar muito deles.
Mas mentem.
E manipulam.
É importante ter isto em mente.
LRO
Manipulam.
Continuo a gostar muito deles.
Mas mentem.
E manipulam.
É importante ter isto em mente.
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6-1
Há semanas que ando para escrever umas linhas sobre a avassaladora dinâmica 2009/2010. A prudência alicerçada em anos - muitos - menos felizes de expectativas goradas tem-me mantido afastado desse objectivo. Chegados quase a Novembro a prudência dá lugar à incredulidade: será que... esperemos que sim.
LRO
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Mexican Pavilion for the Venice Biennale
Everyday, someone cleans the marble floors of the Palazzo with a mop dipped in water mixed with the blood found on the site of murders committed during the drug wars in Northern Mexico. How long will traces of it remain on the sole of your shoes? continue
LRO
23.10.09
Rabos de cavalo
Dada a relevância do assunto, já há muito tempo que deveria ter partilhado com todos vocês, caros frequentadores deste pequeno antro virtual, que gosto muito de rabos de cavalo - refiro-me obviamente ao penteado e não à parte anatómica do animal. Considero o dito penteado muito sexy, mas atenção, não é um rabo de cavalo qualquer. Pelo contrário, é um tipo de rabo de cavalo muito especifico e perfeitamente identificado desde a minha adolescência. Qualquer pessoa que se dedique a sério a estudar esta forma de organizar o cabelo sabe que existem fundamentalmente dois tipos de rabo de cavalo: o empinado e o descaído. No primeiro tipo, os cabelos estão impecavelmente apanhados num volume ligeiramente empinado na zona posterior da cabeça. No segundo caso, o cabelo é apanhado na base da cabeça e descai pelas costas. O meu preferido é por demais evidente por razões também elas tão evidentes que me escuso a explaná-las.
Diora Baird
LRO
Diora BairdLRO
Grey House
E assim de repente, sem qualquer aviso prévio, tomem lá um bom projecto para estudarem no fim de semana.
LRO
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Perguntas muito pertinentes sobre o comportamento do ser humano (2)
Porque é que a música urbano depressiva aumenta exponencialmente no éter quando as folhas começam a ficar douradas nas árvores e a chuva aparece com mais assiduidade?
LRO
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Perguntas muito pertinentes sobre o comportamento do ser humano (1)
Porque é que as pessoas têm pavor a estacionar nos pisos mais baixos dos estacionamento subterrâneos? Sobretudo quando a maior parte das vezes isso significa ficar muitos, mas mesmo muitos metros mais perto da porta de saída? A mesma pergunta é válida para os silos automóveis mas neste caso o incómodo não aumenta de cima para baixo mas no sentido inverso.
LRO
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Detida 39 vezes sem carta
"Aparentemente indiferente a estes trâmites processuais, Cristina Araújo chegou ontem à tarde ao tribunal muito sorridente. Em voz alta, dizia no átrio, enquanto bebia um café: "Quem quer aparecer na TV ou no jornal venha para o pé de mim. Isto é tudo meu".
Diário de Noticias
Toda esta inconsciência é muito bonita. É com algum pesar que constato mais à frente na noticia que, quando a arguida chegou dentro da sala de audiências e percebeu que podia voltar à prisão, acalmou um pouco e até foi capaz de reconhecer que não voltaria a pegar no volante de um automóvel enquanto não obtivesse a malfadada carta. O que é uma pena porque assim todos aqueles espectaculares jornalistas que se acotovelavam no tribunal vão ter que se dedicar a outros acontecimentos menos relevantes.
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Diário de Noticias
Toda esta inconsciência é muito bonita. É com algum pesar que constato mais à frente na noticia que, quando a arguida chegou dentro da sala de audiências e percebeu que podia voltar à prisão, acalmou um pouco e até foi capaz de reconhecer que não voltaria a pegar no volante de um automóvel enquanto não obtivesse a malfadada carta. O que é uma pena porque assim todos aqueles espectaculares jornalistas que se acotovelavam no tribunal vão ter que se dedicar a outros acontecimentos menos relevantes.
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20.10.09
Causas e consequências
Existem várias razões para este ser um blog muito fraquinho.
Uma das principais é o tédio que os filósofos franceses me provocam.
Outra é o facto de preferir a ginginha do Rossio à Ler Devagar do Braço de Prata. Imperdoável.
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Uma das principais é o tédio que os filósofos franceses me provocam.
Outra é o facto de preferir a ginginha do Rossio à Ler Devagar do Braço de Prata. Imperdoável.
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19.10.09
Jesper Just
Jesper Just no Centro de Arte Moderna da Gulbenkian. Muito bom. Só até Janeiro. Passa num instantinho. Depois não venham com a conversa do costume que não avisei a tempo e que se intrometeu entre a vossa vida e a exposição o Natal, as farófias e o champanhe. Para os menos rigorosos, há mais vídeos disponíveis deste senhor no youtube. Mas, como diz o anúncio, não é a mesma coisa.
LRO
15.10.09
14.10.09
Vamos fazer o óbvio
Sr. Presidente António Costa,
Agora que as eleições já são passado e os lisboetas lhe deram a maioria absoluta, venho por este meio pedir-lhe que comece a trabalhar por aquelas coisas pequeninas e óbvias. Sim, haverá grandes projectos e planos e estudos e relatórios e discussões e revisões e adendas, mas comecemos pelo óbvio que será mais fácil para todos. A minha lista de coisas óbvias que não acarretam grandes investimentos mas que me iriam dar um grande jeito e, com certeza, a uma franja enorme de lisboetas:
- um único bilhete que sirva para o comboio, o barco, o autocarro, o eléctrico, o metro, a bicicleta, o segway e tudo o mais que houver e que se possa recargar sempre que for necessário independentemente do operador de transportes. Os títulos de transportes existentes no mercado estão quase lá mas é uma estupidez extrema a lenga lenga do se carregou para o barco não dá para o metro e vice versa;
- permissão de elevadores e de alterações controladas no património construído da Baixa, senão não há investidor privado que pegue nos imóveis;
- levantamento dos espaços camarários devolutos e promoção de concursos abertos para a concessão destes espaços para ateliers, galerias, sala de exposições, oficinas, sedes de associações, etc. Concessões por um período máximo de 5 anos para não criar vícios;
- para efeitos burocráticos, divisão da cidade em três grandes zonas: oriente, centro e poente. Abertura de uma loja do munícipe em cada uma destas zonas e transferência de todos os serviços de atendimento ao público para estes locais;
- diminuição do número de Juntas de Freguesia da cidade, actualmente 53, para um máximo de 15, agrupadas também em três grandes conjuntos: oriente, centro e poente;
- todos os formulários, minutas e regulamentos disponíveis online
- concursos públicos abertos para todos os projectos de concepção de espaço público que sejam feitos por equipas exteriores à câmara;
- aprovação ou reprovação dos licenciamentos até um máximo de seis meses desde que o processo dá entrada até ao envio da carta com a decisão de deferimento ou indeferimento;
- taxas pesadas para ocupação da via pública com estaleiros de obra;
- recolha de lixo dia sim, dia não em cada zona da cidade. A maioria dos países da Europa não tem recolha de lixo diária, alguns têm apenas semanal, não há razão para que em Lisboa se processem recolhas diárias com todos os custos associados que acarretam;
Haveria mais, mas por agora se conseguir fazer isto creio que já será um conjunto de grandes passos na direcção certa. Quando a vida me permitir virei a este mesmo palco elencar outra serie de medidas óbvias mas estas já com custos mais elevados que isto é tudo muito bonito mas há coisas que custam muito dinheirinho... Para já é isto.
Estou ao seu dispor,
LRO
Agora que as eleições já são passado e os lisboetas lhe deram a maioria absoluta, venho por este meio pedir-lhe que comece a trabalhar por aquelas coisas pequeninas e óbvias. Sim, haverá grandes projectos e planos e estudos e relatórios e discussões e revisões e adendas, mas comecemos pelo óbvio que será mais fácil para todos. A minha lista de coisas óbvias que não acarretam grandes investimentos mas que me iriam dar um grande jeito e, com certeza, a uma franja enorme de lisboetas:
- um único bilhete que sirva para o comboio, o barco, o autocarro, o eléctrico, o metro, a bicicleta, o segway e tudo o mais que houver e que se possa recargar sempre que for necessário independentemente do operador de transportes. Os títulos de transportes existentes no mercado estão quase lá mas é uma estupidez extrema a lenga lenga do se carregou para o barco não dá para o metro e vice versa;
- permissão de elevadores e de alterações controladas no património construído da Baixa, senão não há investidor privado que pegue nos imóveis;
- levantamento dos espaços camarários devolutos e promoção de concursos abertos para a concessão destes espaços para ateliers, galerias, sala de exposições, oficinas, sedes de associações, etc. Concessões por um período máximo de 5 anos para não criar vícios;
- para efeitos burocráticos, divisão da cidade em três grandes zonas: oriente, centro e poente. Abertura de uma loja do munícipe em cada uma destas zonas e transferência de todos os serviços de atendimento ao público para estes locais;
- diminuição do número de Juntas de Freguesia da cidade, actualmente 53, para um máximo de 15, agrupadas também em três grandes conjuntos: oriente, centro e poente;
- todos os formulários, minutas e regulamentos disponíveis online
- concursos públicos abertos para todos os projectos de concepção de espaço público que sejam feitos por equipas exteriores à câmara;
- aprovação ou reprovação dos licenciamentos até um máximo de seis meses desde que o processo dá entrada até ao envio da carta com a decisão de deferimento ou indeferimento;
- taxas pesadas para ocupação da via pública com estaleiros de obra;
- recolha de lixo dia sim, dia não em cada zona da cidade. A maioria dos países da Europa não tem recolha de lixo diária, alguns têm apenas semanal, não há razão para que em Lisboa se processem recolhas diárias com todos os custos associados que acarretam;
Haveria mais, mas por agora se conseguir fazer isto creio que já será um conjunto de grandes passos na direcção certa. Quando a vida me permitir virei a este mesmo palco elencar outra serie de medidas óbvias mas estas já com custos mais elevados que isto é tudo muito bonito mas há coisas que custam muito dinheirinho... Para já é isto.
Estou ao seu dispor,
LRO
12.10.09
Agradecimento
Devido a vários factores pessoais de ordem tecnica, a urna apta a receber o meu voto encontra-se ainda nos subúrbios de Lisboa. Muitos verão nesta circunstância uma declaração de amor à terra que me amparou a adolescência, à semelhança do que vi por diversas vezes reproduzido nos serviços noticiosos em situações idênticas. Eu chamo-lhe apenas inércia.
Queria, por isso, agradecer a todos os que conseguiram colmatar a minha inércia depositando o seu voto com a cruz noutro quadrado que não o de Pedro Santana Lopes. A todos o meu sincero agradecimento. Prometo que para a próxima semana irei tratar do cartão do cidadão para não vos deixar sozinhos com esta responsabilidade.
LRO
Queria, por isso, agradecer a todos os que conseguiram colmatar a minha inércia depositando o seu voto com a cruz noutro quadrado que não o de Pedro Santana Lopes. A todos o meu sincero agradecimento. Prometo que para a próxima semana irei tratar do cartão do cidadão para não vos deixar sozinhos com esta responsabilidade.
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Dia de eleições
Acordar cedo. Pinturas.
Pausa.Vinte e três quilómetros.
Trinta e cinco minutos na fila.
Votar em branco.
Regresso. Vinte e três quilómetros.
Pinturas.
Foi bonito.
LRO
Pausa.Vinte e três quilómetros.
Trinta e cinco minutos na fila.
Votar em branco.
Regresso. Vinte e três quilómetros.
Pinturas.
Foi bonito.
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8.10.09
Victory Gardens
Andei a ler um livro - que só futebol e jornais às vezes também cansa - de uma senhora chamada Amy Franceschini. Artista americana que tem levado a cabo o interessante projecto Victory Gardens 2007+ que tem o seu epicentro nas hortas urbanas e na sua capacidade de produzir alimento e gerar riqueza à margem dos sistemas económicos convencionais. O seu trabalho aborda ainda a horta como catalisador social inter geracional e racial.
Para quem acha que as hortas urbanas são utopias sem sentido ou um mero entretêm de fim de semana para burgueses entediados, o livro tem um interessante capítulo dedicado aos Victory Gardens originais que, basicamente, eram hortas urbanas plantadas e geridas por comunidades urbanas durante a II Guerra Mundial. Estas acções de cultivo eram fortemente incentivadas pelos governos americano e britânico que viam nelas uma forma de aliviar a pressão sobre a cadeia normal de produção de alimentos concentrada no esforço de guerra. O que é absolutamente incrível é a estimativa de que em 1943 estas hortas produziam 8 milhões de vegetais, o que representava cerca de 41% da produção nacional dos Estados Unidos. Repito: quarenta-e-um-por-cento.
LRO
2.10.09
Para acabar a semana
São todas grandes músicas mas, na minha opinião, acima de tudo excelentes vídeoclips. Tomei a liberdade de os ordenar por ordem de preferência - dos videoclips, não das músicas - só porque sim.
Questão existêncial-ó-crítica: será coincidência este trio de vídeos maravilha pertencer à mesma banda?
Obviamente que não.
E o que é que isto significa?
Nada, apenas que os rapazes são muito bons. Queriam o quê, a explicação da teoria quântica de campos nos vídeos dos Justice? Pois.
Esta semana é tudo.
Despeço-me com gratidão.
LRO
1.10.09
Theauteurs.com
Olha que belo cantinho cibernético! Uma página sobre cinema que conjuga limpeza gráfica, facilidade de navegação e actualizações frequentes.Como se não bastasse esta conjugação de rara de beleza ainda se pode ver filmes, deixar críticas, criar lista de filmes visto e por ver e mais uma infinidade de coisas.
Quem é amigo, quem é? Ide ver, mas só quando chegarem a casa, se não deixam o trabalho todo pendurado e nós não queremos isso pois não? Se calhar queremos só que ainda não me informaram. Sei lá...
LRO
Quem é amigo, quem é? Ide ver, mas só quando chegarem a casa, se não deixam o trabalho todo pendurado e nós não queremos isso pois não? Se calhar queremos só que ainda não me informaram. Sei lá...
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Obama - the perfect smile
Barack Obama's amazingly consistent smile from Eric Spiegelman on Vimeo.
On Wednesday, the Obamas hosted a reception at the Metropolitan Museum of Art in New York, during which they stood for 130 photographs with visiting foreign dignitaries in town for the UN meeting. The President has exactly the same smile in every single shot. See for yourself — the pictures are up on the State Department’s flickr. And, of course, compressed into 20 seconds for your viewing pleasure.
descoberto aqui
É tecnicamente impossivel do ponto de vista biológico-emocional manter o mesmo exacto sorriso durante 130 fotografias. Sendo assim, só me resta concluir que o mencionado sorriso é falso e foi colado nas fotografias por algum diligente funcionário da Casa Branca experiente em photoshop.
Isto é grave? Não, mas ilustra o privilégio do estilo em detrimento da substância, marca de água dos tempos em que vivemos.
LRO
30.9.09
Poeira
A intervenção do nosso Presidente fez-me lembrar a poeira que há dias andou a sobrevoar Sydney e arredores e que deu origem a este magnifíco conjunto de fotografias. Ainda por cima a poeira é laranja e tudo.
Sobre este acontecimento era só isto. Com muita pena vossa, vou agora deixar a dissecação do cadáver para os senhores da política e do comentário que eles são pagos para fazer autópsias e eu para fazer coisas bonitas que, até ver, não abrangem o comentário político.
LRO
Sobre este acontecimento era só isto. Com muita pena vossa, vou agora deixar a dissecação do cadáver para os senhores da política e do comentário que eles são pagos para fazer autópsias e eu para fazer coisas bonitas que, até ver, não abrangem o comentário político.
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29.9.09
E o mundo não acabou
Como sempre, a seguir às eleições legislativas não veio o caos, um aumento exponencial de doenças venéreas, a falência da segurança social, do sistema nacional de saúde ou o colapso da economia - ainda que reconheça que tal cenário seria difícil de atingir em meras 24 horas. Os exageros da campanha deram lugar ao vamos lá ver como é que nos organizamos e ao isto era giro era repetirmos já daqui a dois anos outra vez...
A minha mãe descobriu escandalizada que votei na esquerda radical e disse que já tinha idade para ter juízo - entenda-se PS ou PSD. Alguns amigos descobriram desiludidos que votei na esquerda radical pois tinham-me em conta de pessoa mais consequente - entenda-se PS ou PSD. O meu irmão já desistiu de esperar alguma coisa do mano.
Quanto aos resultados. O meu quadrante podia ter garantido mais um punhado de votos que era simpático, mas a subida do CDS-PP não me apoquenta por aí além. A democracia é rotativa, hoje estão estes, amanhã estarão outros e assim é que é bonito, todos têm oportunidade de experimentar. A perpetuação no poder é coisa mais horrorosa a que pode aspirar um político ou um partido, seja ele de esquerda, do centro, de meia direita ou extrema qualquer coisa.
Sempre gostei muito do Ghandi.
O meu irmão é padre.
A minha mãe descobriu escandalizada que votei na esquerda radical e disse que já tinha idade para ter juízo - entenda-se PS ou PSD. Alguns amigos descobriram desiludidos que votei na esquerda radical pois tinham-me em conta de pessoa mais consequente - entenda-se PS ou PSD. O meu irmão já desistiu de esperar alguma coisa do mano.
Quanto aos resultados. O meu quadrante podia ter garantido mais um punhado de votos que era simpático, mas a subida do CDS-PP não me apoquenta por aí além. A democracia é rotativa, hoje estão estes, amanhã estarão outros e assim é que é bonito, todos têm oportunidade de experimentar. A perpetuação no poder é coisa mais horrorosa a que pode aspirar um político ou um partido, seja ele de esquerda, do centro, de meia direita ou extrema qualquer coisa.
Sempre gostei muito do Ghandi.
O meu irmão é padre.
24.9.09
23.9.09
Acho isto tudo muito bonito













Os Sólidos de Arquimedes
Sólidos de Arquimedes ou poliedros semi-regulares são poliedros convexos cujas faces são polígonos regulares de mais de um tipo. Todos os seus vértices são congruentes, isto é, existe o mesmo arranjo de polígonos em torno de cada vértice. Além disso, todo vértice pode ser transformado em outro vértice por uma simetria do poliedro.
Existem apenas treze poliedros arquimedianos.
Onze são obtidos truncando sólidos platónicos:O Tetraedro truncado, o Cuboctaedro, o Cubo truncado, o Octaedro truncado, o Rombicuboctaedro, o Cuboctaedro truncado, o Icosidodecaedro, o Dodecaedro truncado, o Icosaedro truncado, o Rombicosidodecaedro e o Icosidodecaedro truncado.
Dois que são obtidos por snubificação de sólidos platónicos:O Cubo snub e o Icosidodecaedro snub. Estes dois sólidos têm caso isomórfico, quer dizer uma figura de espelho correspondente.Os sólidos duais dos sólidos de Arquimedes são os Sólidos de Catalan.
in Wikipédia
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Tendências
Agora que passámos dez anos a brincar com as curvas e as bolhas podíamos voltar aos poliedros. Podíamos, não podíamos? Eu vou tentar e depois dou notícias.
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Os portugueses
Se há expressão usada em campanha que sempre me fez comichão no cerebelo é a imortal: os portugueses... Invariavelmente depois destas duas palavrinhas segue-se um chorrilho de desejos, preocupações, ambições. A mim, um português com 31 anos de experiência, nunca me perguntaram que desejos, que preocupações, que ambições me apoquentam a existência para me incluirem sem consulta prévia na onda retórica d'os portugueses... Mesmo tendo em conta que os meus amigos desataram a ter bebés como se não houvesse amanhã, creio que ainda devemos andar, mais milhar menos milhar, algures nos 10 milhões, o que significa também, mais milhar menos milhar, 10 milhões de desejos, preocupações e ambições diferentes ainda que, condescendo, com alguns pontos de contacto. É, portanto, rídiculo usar a expressão os portugueses como referência a um colectivo homogéneo que não existe senão na cabeça do político em campanha e do diligente escriba que lhe escreve os discursos. No entanto, como em todas as regras existe a excepção para sublinhar o acerto da norma. No caso em análise a expressão os portugeses só poderá ser usada com propriedade quando se referir ao Benfica porque - e eu ando na rua a sentir o pulso ao povo - os portugueses querem o Benfica campeão.
LRO
Quase septuagenária
Tenho sido violentamente criticado pelas pessoas - na realidade duas e uma até foi suave na sua observação - por usar como único argumento contra a Manuela Ferreira Leite a sua idade. Tal facto não corresponde inteiramente à verdade - já apresentei outras razões algures lá para trás - mas que considero a idade da senhora o principal obstáculo a um bom desempenho isso confirmo e reafirmo. O cargo pede energia, criatividade e trabalho, trabalho, trabalho... e se alguém acha que uma senhora sexagenária quase a virar septuagenária já no ocaso da sua vida profissional é o ser humano mais indicado para o cargo, então não percebo porque é que a idade da reforma está nos 65 anos. Sinceramente não percebo. Mas como sempre, fico à espera de ser sabiamente elucidado na caixa de comentários.
LRO
22.9.09
Sexagenárias não!
Tem havido uma clivagem clara e objectiva entre o País, que mergulha na campanha eleitoral, e o meu quotidiano composto de alombamento de armários e derivados, bem como, de finalização de projectos vários. Essa notória clivagem entre agenda colectiva e pessoal, tem levado a uma acentuada falta de infomação das propostas, sound bytes e ementa dos diversos candidatos. Isto, associado a alguma ignorância da real politik e à ausência de Pedro Santana Lopes do naipe de escolhas, impedem-me de vos dar aqui e agora uma indicação clara de voto. Pelo facto, peço desde já desculpa a toda essa imensa massa humana que esperava ansiosamente pela minha indicação.
LRO
18.9.09
Do amor

Com dois anos de atraso, dediquei-me ao visionamento de Diving Bell and the Butterfly.
Por esta altura já todos saberão que se trata da história de um boémio editor da revista Elle que, vítima de uma trombose, fica completamente imobilizado à excepção de uma pálpebra. Para além do óbvio - a superação das limitações físicas, a beleza estética das sequências e a claustrofobia da cena de abertura - ficou-me o amor. O amor e a sua ingratidão. É especialmente punjente a cena em que, por circunstâncias várias, Céline - a ex-mulher que o acompanha na doença - é obrigada a transmitir a Inès - a namorada que nunca vemos porque sempre ausente- a declaração de amor de Jean-Do. O amor, até aí latente nos gestos, na entrega e dedicação das mulheres que gravitam à volta do protagonista, emerge de rompante como uma faísca que não se rege pela lei das compensações, do mérito ou do possível. Amamos quem nos incendeia a alma. Ponto.
LRO
17.9.09
Precisão
16.9.09
Marquises e ceroulas
Venho só aqui de fugida para dizer que, como arquitecto em geral, cidadão em particular e ser humano em específico, não encontro grande lógica, relevância ou interesse no movimento contra as marquises. As pessoas que se apropriem dos edifícios, que cavem neles as marcas da sua intimidade, que a modifiquem, que a habitem. A arquitectura é feita para ser vivida, usada e até, às vezes, maltratada e não para ser emulada pela objectiva do fotógrafo ou aprisionada no ego dos seus autores. A propósito desta problemática de apropriação do objecto construído gostaria de recordar ao caro leitor, caso seja oportuno, uma pequena prosa escrita há mais ou menos um ano por este que agora vos importuna:
Duas Ceroulas ao Sol...
Roupa. Existe lisa, às bolinhas, mais sofisticada, menos sensual, de poliester, caxemira ou algodão… No entanto, seja ela prêt-à-porter ou de gala, necessita de ser lavada. O que significa que, usando amaciador ou dois em um, todo o par de ceroulas terá de secar. E, chegados a este ponto introduzimos uma pequena mas relevante notícia para a prática arquitectónica veículada pela agência Lusa. Se, como é sabido, as grandes mudanças fazem-se anunciar por pequenos sinais, estes vêm para já de Tarragona, Espanha, onde o município fez aprovar uma lei que, e passamos a citar: “para garantir o respeito mútuo e a convivência entre vizinhos - é proibido estender roupa à vista do público, nas varandas e janelas.” Neste momento, já esquecido do suave odor a lavanda das ceroulas, interrogar-se-á o caro leitor: que raio de relevância pode ter uma norma municipal de nuestros hermanos para a prática arquitectónica aqui do burgo? Pois bem, correndo o risco de o desiludir, é a essa ligação improvável que se dedica esta prosa.
Ponto prévio: Portugal é célere na importação de boas práticas, principalmente, se elas vierem em letra de lei e não implicarem mudanças estruturais mas antes proibições e respectivas coimas. Portanto, a questão não será se, mas quando será adoptada tão importante peça legislativa em território luso?
Esclarecido este ponto, avancemos para o âmago da questão: as formas de ocupar e habitar os objectos arquitectónicos – vulgo edifícios - sempre motivaram acesas discussões que navegam no triângulo das bermudas formado pelo egocentrismo de quem projecta, as aspirações individuais de quem é proprietário ou utilizador e o politicamente correcto promovido por essa entidade abstracta e nebulosa que responde pelo nome de opinião pública. Quem projecta bate-se pela preservação de uma imagem inicial que não mostre sinais de colonização da obra por terceiros e perpetue a excelência do seu desenho. O facto de algumas soluções mostrarem ser muitas vezes desadequadas ou de necessidades quotidianas obrigarem a uma customização da obra por parte dos utilizadores, é assunto que não merece muita consideração quando comparado com a importância da preservação da sacrosanta imagem original. A nebulosa e flutuante opinião pública alinha, regra geral, pelo mesmo diapasão da petrificação do edificado, sendo avessa à mudança ou às marcas espontâneas da vida no construído.
Dois grandes tubarões navegam assiduamente neste fórum triângular e, pela preocupação que suscitam aos senhores do projecto e à zelosa massa de cidadãos preocupada com estas coisas da estética, parecem carregar aos ombros décadas de descaracterização do território e do belo edificado nacional. Se o caro leitor, recordando as ceroulas ao vento, identificou a roupa estendida na via pública - ó atentado maldito - como um dos predadores, acertou! O outro é uma verdadeira instituição da construção espontânea portuguesa e dá pelo nome de marquise de alumínio.
Mas o Grande Legislador, sempre atento às necessidades de uma comunidade exigente, prepara-se para resolver de forma impiedosa estas práticas tão ofensivas do bem estar público e da boa arquitectura. Depois da lei esperam-se zelosas brigadas da Polícia Municipal equipadas com poderosos Segways em busca de prevaricadores. Onde durante 60 anos secou a camisola do Eusébio, já não poderá mais secar a camisola do Cristiano Ronaldo por que alguém um dia entendeu que roupa estendida é feio... Feio, diriamos nós, é desperdiçar energia e dinheiro numa máquina de secar para se fazer uma coisa que a cultura popular à muito tinha resolvida com dois paus e um fio.
Uma cidade é como uma casa, precisa das impressões dos seus habitantes cravadas nas suas paredes, no seu chão, nas suas árvores, nos seus bancos... Precisa de testemunhos, de roupa estendida... é importante que o espaço público possa ser objecto da imprevisibilidade, da interacção e das marcas do quotidiano de quem nele habita e não apenas um cenário acéptico que obedece a um manual de condutas castrador.
Mestre Siza, podemos pôr um estendal em Serralves?
Duas Ceroulas ao Sol...
Roupa. Existe lisa, às bolinhas, mais sofisticada, menos sensual, de poliester, caxemira ou algodão… No entanto, seja ela prêt-à-porter ou de gala, necessita de ser lavada. O que significa que, usando amaciador ou dois em um, todo o par de ceroulas terá de secar. E, chegados a este ponto introduzimos uma pequena mas relevante notícia para a prática arquitectónica veículada pela agência Lusa. Se, como é sabido, as grandes mudanças fazem-se anunciar por pequenos sinais, estes vêm para já de Tarragona, Espanha, onde o município fez aprovar uma lei que, e passamos a citar: “para garantir o respeito mútuo e a convivência entre vizinhos - é proibido estender roupa à vista do público, nas varandas e janelas.” Neste momento, já esquecido do suave odor a lavanda das ceroulas, interrogar-se-á o caro leitor: que raio de relevância pode ter uma norma municipal de nuestros hermanos para a prática arquitectónica aqui do burgo? Pois bem, correndo o risco de o desiludir, é a essa ligação improvável que se dedica esta prosa.
Ponto prévio: Portugal é célere na importação de boas práticas, principalmente, se elas vierem em letra de lei e não implicarem mudanças estruturais mas antes proibições e respectivas coimas. Portanto, a questão não será se, mas quando será adoptada tão importante peça legislativa em território luso?
Esclarecido este ponto, avancemos para o âmago da questão: as formas de ocupar e habitar os objectos arquitectónicos – vulgo edifícios - sempre motivaram acesas discussões que navegam no triângulo das bermudas formado pelo egocentrismo de quem projecta, as aspirações individuais de quem é proprietário ou utilizador e o politicamente correcto promovido por essa entidade abstracta e nebulosa que responde pelo nome de opinião pública. Quem projecta bate-se pela preservação de uma imagem inicial que não mostre sinais de colonização da obra por terceiros e perpetue a excelência do seu desenho. O facto de algumas soluções mostrarem ser muitas vezes desadequadas ou de necessidades quotidianas obrigarem a uma customização da obra por parte dos utilizadores, é assunto que não merece muita consideração quando comparado com a importância da preservação da sacrosanta imagem original. A nebulosa e flutuante opinião pública alinha, regra geral, pelo mesmo diapasão da petrificação do edificado, sendo avessa à mudança ou às marcas espontâneas da vida no construído.
Dois grandes tubarões navegam assiduamente neste fórum triângular e, pela preocupação que suscitam aos senhores do projecto e à zelosa massa de cidadãos preocupada com estas coisas da estética, parecem carregar aos ombros décadas de descaracterização do território e do belo edificado nacional. Se o caro leitor, recordando as ceroulas ao vento, identificou a roupa estendida na via pública - ó atentado maldito - como um dos predadores, acertou! O outro é uma verdadeira instituição da construção espontânea portuguesa e dá pelo nome de marquise de alumínio.
Mas o Grande Legislador, sempre atento às necessidades de uma comunidade exigente, prepara-se para resolver de forma impiedosa estas práticas tão ofensivas do bem estar público e da boa arquitectura. Depois da lei esperam-se zelosas brigadas da Polícia Municipal equipadas com poderosos Segways em busca de prevaricadores. Onde durante 60 anos secou a camisola do Eusébio, já não poderá mais secar a camisola do Cristiano Ronaldo por que alguém um dia entendeu que roupa estendida é feio... Feio, diriamos nós, é desperdiçar energia e dinheiro numa máquina de secar para se fazer uma coisa que a cultura popular à muito tinha resolvida com dois paus e um fio.
Uma cidade é como uma casa, precisa das impressões dos seus habitantes cravadas nas suas paredes, no seu chão, nas suas árvores, nos seus bancos... Precisa de testemunhos, de roupa estendida... é importante que o espaço público possa ser objecto da imprevisibilidade, da interacção e das marcas do quotidiano de quem nele habita e não apenas um cenário acéptico que obedece a um manual de condutas castrador.
Mestre Siza, podemos pôr um estendal em Serralves?
(originalmente publicado na revista BlueDesign num número que agora me falha a memória)
LRO
Pequenas estórias deste nosso grande mundo
Samoa passou a guiar ao contrário
(...) Por que razão se circula pela esquerda ou pela direita? Há algum motivo para a Grã-Bretanha e as suas antigas possessões se comportarem na estrada ao contrário do resto do planeta? Bom, há. Nem era preciso que houvesse, porque os britânicos sempre se mostraram muito protectores das suas idiossincrasias - medem em milhas e polegadas, pesam em libras, até bebem cerveja quente... Mas há. E, na verdade, tudo começou pela esquerda.
Na Idade Média, os cavaleiros circulavam pela esquerda dos caminhos porque isso lhes permitia proteger-se com o escudo (colocado no braço esquerdo) de alguma emboscada vinda dos bosques e, além disso, mantinha a mão direita solta para cumprimentar quem se cruzasse com ele na estrada (ou empunhar a espada, caso fosse necessário). Também é mais fácil montar a cavalo a partir da esquerda do animal, usando o braço mais forte (o direito) para nos erguermos. No Japão, um dos poucos países que conduzem pela direita sem ser pela herança britânica, o cenário era semelhante: os samurais davam a sua direita no caminho para que as suas espadas, penduradas à esquerda na cintura, não andassem a ensarilhar-se nas dos outros passantes.
Na Idade Média, os cavaleiros circulavam pela esquerda dos caminhos porque isso lhes permitia proteger-se com o escudo (colocado no braço esquerdo) de alguma emboscada vinda dos bosques e, além disso, mantinha a mão direita solta para cumprimentar quem se cruzasse com ele na estrada (ou empunhar a espada, caso fosse necessário). Também é mais fácil montar a cavalo a partir da esquerda do animal, usando o braço mais forte (o direito) para nos erguermos. No Japão, um dos poucos países que conduzem pela direita sem ser pela herança britânica, o cenário era semelhante: os samurais davam a sua direita no caminho para que as suas espadas, penduradas à esquerda na cintura, não andassem a ensarilhar-se nas dos outros passantes.
LRO
MFL
Manuel Ferreira Leite tem 68 anos - facto comprovado pelo seu nascimento a 3 de Dezembro 1940 - é altamente conservadora - caracteristica que se pode atestar pela sua posição nas temáticas do casamento homossexual, uniões de facto, divórcio e aborto - engole sapos, muitos sapos - basta recordar o Pedro Santana Lopes como candidato à CML, a inclusão do senhor da mala cheia de notas na lista de deputados e o elogio ao Alberto e ao regime da Madeira - tem uma confrangedora capacidade de comunicação - recordar as inúmeras gaffes e a sua performance como ministra da educação e finanças.
Pois bem, é esta senhora, que parece estar sempre cansadita e com vontade de ir ter com os netos e uma chávena de chá, que alguns acreditam que vai pegar no país, pacificar as massas descontentes, apaziguar os barões e os baronetes e com energia e garra nunca vistas colocar o país na senda do sucesso imparável. Hmm... a realidade não parece apontar para esse cenário. E vós sabeis como a realidade pode ser lixada. Isso e uma entrevista do Ricardo Araújo Pereira.
LRO
15.9.09
Do contra
Tenho uma caracteristica que me torna de dificil compreensão para a generalidade dos amigos e não-amigos. Gosto do meu trabalho, do que faço. Cada segunda-feira não é um suplício, as férias não são uma ilha num mar de sangue, suor e lágrimas. Não percebi ainda se padeço de alguma doença grave que me leva a ter prazer onde os outros sofrem, se sou apenas tontinho ou se me devia empenhar em actividades menos do meu agrado para me encaixar de modo mais efectivo nas dinâmicas oratórias da vida em sociedade. Estou indeciso, muito indeciso.
LRO
14.9.09
(Un)Inhabitable? - Art of Extreme Environments

The Maison Européenne de la Photographiein Paris is currently hosting the 10th edition of the Festival @rt Outsiders. (Un)Inhabitable? - Art of Extreme Environments explores the meaning of living in extreme environments.These environments are either those that were, until recently, uninhabited by human beings and that contemporary science and technology is turning into "inhabitable" places (Antarctica, underwater world, outer space, deserts); or they are those that the consequences of man's actions have ruined and made "uninhabitable" for himself but also for other species.
(Un)Inhabitable? - Art of Extreme Environments
Já que ninguém me pagou a viagem para ir a Bristol ver o Banksy, venho agora dar provas da minha generosidade, enquanto ser humano, dando uma nova oportunidades a todos os leitores deste blog de se redimirem da falha mencionada através do pagamento de uma viagem a Paris para poder ver (Un)Inhabitable? - Art of Extreme Environments. Asseguro reportagem extensa e pertinente.
Seguro que o meu pedido será atendido por todos vós.
Atentamente,
LRO
Dias intensos, muita coisa a contar. O mais sensato é recostar-nos a apreciar arte e esperar que o tempo elimine essa necessidade







Isolated Buildings Series . David Schalliol
Quem gostou e queira cultivar-se sobre as imagens e o seu autor poderá ir aqui.
Quem não gostou é parvo.
LRO
9.9.09
Alejandro Aravena
Alejandro Aravena constrói meias casas. Não é surpreendente, por isso, que este arquitecto chileno seja o orador convidado da primeira das Conferências de Lisboa (entre as 15h e as 17h no Teatro Camões, Parque das Nações) da ExperimentaDesign 2009, a bienal de design que começa hoje e que se propõe pensar, entre outras coisas, como é possível fazer mais com menos.
"Fazer metade de uma casa não foi uma opção, foi uma restrição", explica Aravena ao P2 por email. A abordagem do Elemental, o do-thank de que faz parte, é pragmática: se o dinheiro não chega para fazer uma casa de 80 m2, talvez chegue para fazer uma de 40m2. "A nossa reformulação do problema foi considerar 40m2 como metade de uma casa boa." O restante é para fazer mais tarde, pelos próprios habitantes, quando surgir o dinheiro.
"Fazer metade de uma casa não foi uma opção, foi uma restrição", explica Aravena ao P2 por email. A abordagem do Elemental, o do-thank de que faz parte, é pragmática: se o dinheiro não chega para fazer uma casa de 80 m2, talvez chegue para fazer uma de 40m2. "A nossa reformulação do problema foi considerar 40m2 como metade de uma casa boa." O restante é para fazer mais tarde, pelos próprios habitantes, quando surgir o dinheiro.
Público . 09.09.12009
Eu não vi porque tinha afazeres.
Estou triste.
Mas já passa...
LRO
8.9.09
7.9.09
A futebolização da política
Uma das grandes maleitas do sistema democrático (que ainda assim continua a ser o melhor sistema de organização politico/social do mundo e arredores) é o fenómeno da futebolização dos partidos. Passo a explicar: o adepto de um clube de futebol tem uma ligação emotiva com a sua agremiação desportiva. A razão é um elemento ausente na equação adepto/clube, só isso explica que a relação seja para toda a vida e mais seis meses independentemente dos resultados, do mérito, dos corpos directivos ou dos meios disponíveis. O Benfica será sempre o melhor. Ponto final. Nada no futebol obedece à lógica e, por isso, é que a relação entre adepto e clube é tão umbilical e bonita.
Façamos agora o by pass para a política. Os partidos são os clubes da democracia. Certo? Errado. Nada mais errado. Os partidos não podem ser os clubes da democracia porque a democracia não é um jogo. Do seu correcto funcionamento depende o nosso bem estar, a nossa imperial ao fim da tarde ou as férias nas Berlengas. Do Benfica ser campeão não depende ninguém. O índice de fidelidade a um partido devia igualar a capacidade de ser sagaz de uma Paris Hilton ou a habilidade de práticas monogâmicas de Hugo Hefner.
A escolha de um partido deverá obedecer a uma lógica de identificação com pessoas, métodos e prioridades, tudo factores que são variáveis ao longo do tempo. Qualquer pessoa com dois dedos de testa saberá que os mais competentes, os mais inteligentes e os mais honestos da nossa sociedade não se concentrarão apenas num partido e sempre nesse partido. Que uns estarão sempre errados ou menos certos que outros. Tendo esta impossibilidade em mente é me dificil compreender a fidelidade cega a entidades politicas tão abrangentes e tão dadas à asneira como o são os partidos. Se este blog tivesse contraditório este era o momento em que as ideologias surgiriam e eu teria que articular um argumento sobre o tópico. Mas como não existe contraditório, tenho muitos afazeres exteriores à blogosfera e quero limitar-me ao cerne da questão que me trouxe aqui hoje não o irei desenvolver. Sendo assim, o cerne do que hoje vos queria transmitir prende-se com a coerência ou a falta dela. A futebolização dos partidos leva a que os adeptos - peço perdão, os militantes e simpatizantes - sejam intransigentes com acções/situações protagonizadas pelos seus opositores e sejam condescendentes ou até apoiantes fervorosos quando as mesmíssimas acções/situações são protagonizadas pelos seus camaradas.
Um exemplo: a senhora sexagenária que tanto tem falado de asfixia democrática e meios do estado ao serviço de um partido vai à Madeira e tem esta performance.
LRO
Façamos agora o by pass para a política. Os partidos são os clubes da democracia. Certo? Errado. Nada mais errado. Os partidos não podem ser os clubes da democracia porque a democracia não é um jogo. Do seu correcto funcionamento depende o nosso bem estar, a nossa imperial ao fim da tarde ou as férias nas Berlengas. Do Benfica ser campeão não depende ninguém. O índice de fidelidade a um partido devia igualar a capacidade de ser sagaz de uma Paris Hilton ou a habilidade de práticas monogâmicas de Hugo Hefner.
A escolha de um partido deverá obedecer a uma lógica de identificação com pessoas, métodos e prioridades, tudo factores que são variáveis ao longo do tempo. Qualquer pessoa com dois dedos de testa saberá que os mais competentes, os mais inteligentes e os mais honestos da nossa sociedade não se concentrarão apenas num partido e sempre nesse partido. Que uns estarão sempre errados ou menos certos que outros. Tendo esta impossibilidade em mente é me dificil compreender a fidelidade cega a entidades politicas tão abrangentes e tão dadas à asneira como o são os partidos. Se este blog tivesse contraditório este era o momento em que as ideologias surgiriam e eu teria que articular um argumento sobre o tópico. Mas como não existe contraditório, tenho muitos afazeres exteriores à blogosfera e quero limitar-me ao cerne da questão que me trouxe aqui hoje não o irei desenvolver. Sendo assim, o cerne do que hoje vos queria transmitir prende-se com a coerência ou a falta dela. A futebolização dos partidos leva a que os adeptos - peço perdão, os militantes e simpatizantes - sejam intransigentes com acções/situações protagonizadas pelos seus opositores e sejam condescendentes ou até apoiantes fervorosos quando as mesmíssimas acções/situações são protagonizadas pelos seus camaradas.
Um exemplo: a senhora sexagenária que tanto tem falado de asfixia democrática e meios do estado ao serviço de um partido vai à Madeira e tem esta performance.
LRO
6.9.09
É apenas mais uma esplanada, mas...
Aquela que é considerada por muita gente como a melhor esplanada de Lisboa tem os dias contados: a câmara quer substituí-la por "um restaurante de muita qualidade".
No topo de um mercado desactivado situado na Calçada do Marquês de Tancos, nas proximidades da Rua da Madalena e da Baixa, O Terraço tem uma das melhores vistas de Lisboa. O casario e o Tejo estendem-se aos seus pés, para deleite de todos quantos visitam o local. O ambiente descontraído, com puffs, sofás e espreguiçadeiras, fazem o resto.
(...) Mas as obras para reconverter o edifício num silo automóvel e para nele instalar um elevador para facilitar o acesso ao Castelo de S. Jorge foram tardando, e O Terraço foi ganhando fama. Embora ainda não tenha data de arranque, este poderá ser o último Verão do bar. "Haverá 204 lugares de estacionamento, um supermercado no rés-do-chão e, no topo, um restaurante de muita qualidade", explica um dos administradores da Empresa Municipal de Estacionamento de Lisboa, Rogério Pacheco.
Público . 05.09.2009
Aqui está uma noticia do Público de hoje que vem ilustrar as tais prioridades de que tenho falado. Para quem não percebeu a expressão usada por Rogério Pacheco - restaurante de muita qualidade - esclareço que é uma forma airosa de dizer restaurante de luxo, ou seja, uma casa que serve refeições acima de 40€, gratinados com cereja tailandesa e carta de vinhos raros. O que é que eu tenho contra restaurantes com gratinados com cereja tailandesa, carta de vinhos raros e refeições acima dos 40€? Nada, absolutamente nada. O que é que eu penso de um restaurante de muita qualidade no topo do Mercado do Chão do Loureiro? Penso que é um erro.
É notório para quem leu o Plano de Requalificação da Baixa - e eu estou incluido naquela meia dúzia de maluquinhos que leu - que a aposta de quem o produziu passa por instaurar maior capacidade de estacionamento na dita área e criar uma serie de hóteis (sempre de muita qualidade) na maior parte dos edificios nobres desocupados ou em vias de. A intervenção no Mercado do Chão do Loureiro é uma peça desta estratégia elitista.
Quem frequenta a esplanada mencionada na noticia - e eu sou frequentador assiduo - sabe que é uma mais valia para a cidade e apresenta algumas caracteristicas únicas - leia-se somatório vista, dimensão e conforto - na área da Baixa/Castelo, sendo um espaço socialmente eclético frequentado por centenas de pessoas diariamente. Perante este cenário o que é que os senhores do plano sugerem? Um restaurante de muita qualidade que irá servir três ou quatro dezenas de refeições por noite a senhores e senhoras que já têm à sua disposição uma oferta numerosa de estabelecimentos idênticos na área da Baixa/Castelo/Chiado. Retira-se, portanto, um equipamento particular que serve a muitos para o substituir por mais um restaurante que serve a poucos. Porquê? Não sei, mas pergunto-me: é esta desejada Lisboa elitista e chic que vai resgatar os habitantes perdidos e intensificar a dinâmica urbana? Não creio.
LRO
No topo de um mercado desactivado situado na Calçada do Marquês de Tancos, nas proximidades da Rua da Madalena e da Baixa, O Terraço tem uma das melhores vistas de Lisboa. O casario e o Tejo estendem-se aos seus pés, para deleite de todos quantos visitam o local. O ambiente descontraído, com puffs, sofás e espreguiçadeiras, fazem o resto.
(...) Mas as obras para reconverter o edifício num silo automóvel e para nele instalar um elevador para facilitar o acesso ao Castelo de S. Jorge foram tardando, e O Terraço foi ganhando fama. Embora ainda não tenha data de arranque, este poderá ser o último Verão do bar. "Haverá 204 lugares de estacionamento, um supermercado no rés-do-chão e, no topo, um restaurante de muita qualidade", explica um dos administradores da Empresa Municipal de Estacionamento de Lisboa, Rogério Pacheco.
Público . 05.09.2009
Aqui está uma noticia do Público de hoje que vem ilustrar as tais prioridades de que tenho falado. Para quem não percebeu a expressão usada por Rogério Pacheco - restaurante de muita qualidade - esclareço que é uma forma airosa de dizer restaurante de luxo, ou seja, uma casa que serve refeições acima de 40€, gratinados com cereja tailandesa e carta de vinhos raros. O que é que eu tenho contra restaurantes com gratinados com cereja tailandesa, carta de vinhos raros e refeições acima dos 40€? Nada, absolutamente nada. O que é que eu penso de um restaurante de muita qualidade no topo do Mercado do Chão do Loureiro? Penso que é um erro.
É notório para quem leu o Plano de Requalificação da Baixa - e eu estou incluido naquela meia dúzia de maluquinhos que leu - que a aposta de quem o produziu passa por instaurar maior capacidade de estacionamento na dita área e criar uma serie de hóteis (sempre de muita qualidade) na maior parte dos edificios nobres desocupados ou em vias de. A intervenção no Mercado do Chão do Loureiro é uma peça desta estratégia elitista.
Quem frequenta a esplanada mencionada na noticia - e eu sou frequentador assiduo - sabe que é uma mais valia para a cidade e apresenta algumas caracteristicas únicas - leia-se somatório vista, dimensão e conforto - na área da Baixa/Castelo, sendo um espaço socialmente eclético frequentado por centenas de pessoas diariamente. Perante este cenário o que é que os senhores do plano sugerem? Um restaurante de muita qualidade que irá servir três ou quatro dezenas de refeições por noite a senhores e senhoras que já têm à sua disposição uma oferta numerosa de estabelecimentos idênticos na área da Baixa/Castelo/Chiado. Retira-se, portanto, um equipamento particular que serve a muitos para o substituir por mais um restaurante que serve a poucos. Porquê? Não sei, mas pergunto-me: é esta desejada Lisboa elitista e chic que vai resgatar os habitantes perdidos e intensificar a dinâmica urbana? Não creio.
LRO
4.9.09
A caminho da democracia




1. Supporters of Afghan presidential candidate Abdullah Abdullah film his speech with mobile phones at a rally in Kokcha, located in Afghanistan's northern Takhar province August 16, 2009. (REUTERS/Jonathon Burch) #
2. Men cast their ballots at a polling station in Kabul, Thursday, Aug. 20, 2009. (AP Photo/Dima Gavrysh)#
3. A woman walks up to a voting booth at a polling station in Herat, Afghanistan on August 20, 2009. (BEHROUZ MEHRI/AFP/Getty Images) #
4. An Afghani police officer rests his weapon on a ballot at a polling station in Kabul, Afghanistan, Friday, Aug. 21, 2009. (AP Photo/Dima Gavrysh) #
Estas e outras fotografias em tamanho XL no melhor cantinho de fotojornalismo do mundo e quiçá do universo. A quarta imagem é especialmente simbólica.
LRO
Almoços prioritários
Quanto ao post Duas coisas, esclareça-se que eu não acho que os políticos em geral, e os candidatos em particular, são uma corja de bandidos que só querem é poleiro como as senhoras do Bolhão tanto gostam de apregoar. Apenas creio que conhecer as prioridades - quem pensa que pode fazer tudo está fora do meu naipe de escolhas pois revela estupidez - e saber qual a teia de apoios que uma personalidade reúne são dois elementos basilares para uma escolha consciente. Parece simples, mas a verdade é que nenhum dos candidatos foi claro neste dois itens e ainda nenhum teve a amabilidade de deixar a dita informação na caixa de comentários. Assim é complicado...
LRO
Beatles
sacado daqui
Está muito bonito sim senhor. Há que reconhecer a excelência da animação e o imaginativo encadeamento da acção.
LRO
2.9.09
Duas coisas
Eu de um candidato a Primeiro Ministro em campanha só quero saber duas coisas: quais são as suas prioridades e quem é que lhe paga o almoço.
Eu de um candidato a Presidente de Câmara em campanha só quero saber duas coisas: quem é que lhe paga o almoço e quais são as suas prioridades.
De posse desta informação será fácil decidir. Fico então à espera que os candidatos interessados no meu voto me contactem através da caixa de comentários deste blog, pois isso, para além de me esclarecer, iria contribuir para ilucidar também os três leitores que seguem atentamente este blog.
LRO
Eu de um candidato a Presidente de Câmara em campanha só quero saber duas coisas: quem é que lhe paga o almoço e quais são as suas prioridades.
De posse desta informação será fácil decidir. Fico então à espera que os candidatos interessados no meu voto me contactem através da caixa de comentários deste blog, pois isso, para além de me esclarecer, iria contribuir para ilucidar também os três leitores que seguem atentamente este blog.
LRO
Público. Funcionário.
Hoje conheci um funcionário público empenhado e com ideias.
Tiveste sorte. - dirão alguns.
Já tive sorte muitas vezes. - diria eu.
Lá estás tu! - responderiam os alguns.
Pois... - deixaria escapar.
Ó! - alguns.
Ah! - eu
Ãa? - alguns
O quê? - eu
O quê o quê? - alguns
O quê porquê? - eu
Porquê o quê?! - alguns
Sim. - eu
Não percebo. - alguns
Também não. - eu
E o mundo sempre a girar.
LRO
Do ridículo

Eu sei que é uma capa rídicula, mas como dizia o grande poeta imortal:
Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.
Fernando Pessoa
E cá está como consigo em mais um magnifico post misturar Jorge Jesus e Fernando Pessoa que, como é sabido, andam taco a taco no domínio do português.
LRO
31.8.09
Do pessimismo
O pessimista é aquele que acha que uma coisa boa só pode anteceder uma coisa má. O optimista é aquele que acha que uma coisa má antecede uma coisa boa. O mundo é, obviamente, dos segundos porque os primeiros têm na sua falta de fé o prelúdio da falha e, mesmo quando acertam, o sucesso tem a sombra de um futuro negro. O pessimismo destroi mesmo antes de construir e cria dificuldades onde elas não existem. Eu, um optimista militante, estou a atravessar uma fase muito pouco paciente no que aos pessimistas diz respeito. Por mim, numa das minhas soluções mágicas e instantâneas para os grandes problemas da humanidade, punha-os a todos num contentor e deixava-os numa ilha deserta a discutir o fim do mundo em cuecas.
Ia ser mais fácil para todos...
LRO
Truth hates delay
Our motto, “Veritas odit moras,” is from line 850 of Seneca’s version of Oedipus. It means “Truth hates delay.”
25.8.09
Por falar em ficção científica
Moon, o novo filme de Ducan Jones que ainda não estreou entre nós e que, se calhar, nunca vai estrear, mas que eu quero ver nem que tenha que recorrer à pirataria.
LRO
Inadaptação ao presente
Deve haver algures no DNA do ser humano - quase tudo na vida se pode explicar a partir da análise minuciosa do DNA de um indíviduo, pelo menos é isso que os cientistas nos andam a vender à um par de anos - um gene responsável por gostarmos de ficção científica e lugares/edifícios/objectos abandonados. Uma ligação genética entre naves que rasgam o universo e cemitérios de aviões militares da 2ª Guerra Mundial. Eu tenho uma teoria muito própria - e possivelmente muito parva, mas é para isso que existe este blog para as minhas teorias parvas e do FRJ, mas avaliar pela sua contribuição ele tem menos teorias parvas que eu - que a ficção científica e a arqueologia do moderno partem da mesma permissa de inadaptação ao presente. Um ainda não encontrou a bases para se implementar, outro já perdeu as bases para se sustentar. É esta aparente descoordenação com o contemporâneo, comum aos dois campos, que gera a constante dos amantes de ficção cientifica o serem também da arqueologia do moderno.
LRO
24.8.09
Brincando na areia
Branco mais branco não há

55 Blair Road / Ong & Ong
A minha semana costuma começar com uma navegação mais ou menos aleatória por uma serie de sites para ver as novidades - isto claro depois de ter ido religiosamente à bola.pt, ao jogo.pt e ao record.pt que há coisas com que não se brinca. Mas estava eu nesta navegação sem bússola quando me sai pela frente este projecto. Tudo no sitio e, como habitualmente, a impressão que o pintor saiu por uma porta e o fotógrafo entrou por outra ainda antes de alguém ter tomado banho naquela banheira ou ter feito um rissoto al funghi no fogão que agora é placa. O momento asséptico da casa que ainda não o é fixado para a eternidade. Isto, meus amigos, já estou habituado, ao medo de ver o quotidiano entrar no espaço, da censura das marcas da intimidade que constroiem um lar... mas nesta reportagem fomos um passo mais longe e até os livros são brancos! Desculpem o vocábulo, mas que merda é esta? Até os livros são brancos?
LRO
23.8.09
Nós, a sociedade
Acho que nós, enquanto sociedade, excepção feita à minha pessoa, temos contribuído pouco para assegurar a derrota do Santana Lopes. Isto fica-nos mal enquanto colectivo de pessoas. Espero, por isso, que corrigam essa vossa atitude e façam a vossa parte.
LRO
Santana, sempre ele.
Em mais uma espectacular performance dialéctica, Santana Lopes em entrevista ao Público tem esta resposta à 8ª pergunta da jornalista:
Se vencer executa o projecto de Bruno Soares? [arquitecto da reconversão do Terreiro do paço]
Não.
O Parque Mayer tem uma nova solução delineada...
Acho uma idiotice uma pessoa pôr em causa o trabalho do seu antecessor. Não vou fazer aos outros o que me fizeram a mim.
Acho uma idiotice uma pessoa pôr em causa o trabalho do seu antecessor. Não vou fazer aos outros o que me fizeram a mim.
Bom senso, humildade... mas à 24ª pergunta:
Se vencer executa o projecto de Bruno Soares? [arquitecto da reconversão do Terreiro do paço]
Não.
Assim, sem mais, à distância de apenas 16 perguntas.
LRO
21.8.09
Especial Verão: Ilhas pequenas e remotas #4
O tipo de informação que só podem encontrar aqui e numa ou outra página da especialidade e que eu insisto em ter a amabilidade de partilhar com os leitores, mesmo os que cheiram mal dos pés.
Ilhas e Ilheus de Portugal:
Continente:
Berlenga
Farilhões
Ilha da Barretta
Ilha do Pessegueiro
Ilha da Armona
Ilha de Tavira
Ilha da Culatra
Arquipélago dos Açores:
Ilhéu de Vila Franca
Ilhéu da Vila Ilhéu das Lagoínhas
Ilhéu da Gadelha
Ponte dos Ilhéus
Ilhéu da Praia Ilhéu de Baixo
Ilhéu do Topo Ilhéu do Norte
Ilhéus das Cabras
Arquipélago da Madeira:
Ilhéu de Agostinho
Ilhéu de Fora Ilhéu de Ferro
Ilhéu de Baixo ou da CalIlhéu de Cima
LRO
Ciclo vicioso
Isto já foi dito e escrito e re-dito e re-escrito até por pessoas mais qualificadas, mas como ainda não tinham ouvido da minha boca vou alinhavar umas linhas sobre o assunto. Não deixo de ficar abismado com a facilidade com que se criam casos, como nos entretemos dias, semanas a discutir o vácuo, disparates sem sentido, um ciclo vicioso que uma vez posto em andamento por uma qualquer banalidade irrelevante se alimenta a si próprio. É o comentário sobre o comentário do comentário ao comentário de já não se sabe bem o quê... Uma cambada de virgens ofendidades que se entretem em quezilias estéreis. A blogosfera é particularmente pródiga neste tipo de não-acontecimentos, senhoras e senhores em bicos dos pés a saltar de irrelevância em irrelevância sempre muito indignados com tudo e com todos. Cabecinhas que se alimentam da própria espuma que criam.
Agora o que me deixa lixado - diria mesmo profundamente desiludido com a minha pessoa, quase até ao ponto de me privar de ver o próximo jogo do Benfica como forma de me penitenciar - é que estou para aqui a perder o meu tempo a comentar a irrelevância dos comentaristas. Isto é uma força maléfica que a todos verga - até a mim caraças!
LRO
Do perfil que ainda não foi traçado mas está na forja
O meu Presidente da Câmara ideal era um senhor muito atento ao mundo e a coisas como esta. O meu Presidente da Câmara pensaria em zepelins como meio de transporte. O meu Presidente da Câmara seria obcecado por linhas de eléctrico rápido. O meu Presidente da Câmara não dormiria a pensar numa estratégia energética capilar para a cidade. E, mais que tudo, o meu Presidente da Câmara aproveitaria cada cartaz para comunicar uma ideia de cidade e não frases vazias tipo juntos venceremos, o poder da decisão, nós sim e outras caralhices inócuas. Estes gajos do marketing político saiem à rua? Esta malta sabe que há toda uma latitude de coisas úteis e com impacto que se podem colocar num cartaz sem ser um chavão ou as eternas fuças dos candidatos? Ai não resulta, e as pessoas, e os estudos, e as sondagens... E se experimentarem? Começam devarinho, num daqueles cartazes pequenos, com uma ideia/proposta inocente que até as velhinhas gostam e depois vão aumentando a parada até acabarem nos zepelins.
LRO
18.8.09
Especial Verão: Ilhas Pequenas e Remotas #3
Afinal ainda tenho tempo para mais um post.
Googlem Hashima Island e digam lá se não gostavam de ir visitar aquele complexo.
Não.
Caretas!
Anda um gajo a atrasar o expediente para isto... francamente.
LRO
Agora que estou de volta do leste


Estas e outras maravilhas abandonadas no não menos maravilhoso site www.artificialowl.net Se o software não estivesse a empatar ainda punha legendas bonitinhas para cada imagem, mas o software está a empatar e como tal vai ser impossível satisfazer a vossa curiosidade. Hoje é só isto que ainda tenho muito expediente para tratar.
LRO
30.7.09
Se não sou eu vocês não sabiam destas pérolas
"...Pelas 19hs. de ontem recebi um telefonema de uma responsável da SIC a propor - me um frente- a - frente com António Costa. Perguntei se para antes, se para depois das Legislativas. respondeu - me que tinham pensado e que a ideia era ser já na próxima semana. Fiquei estupefacto até porque estes debates costumam ser organizados com meses de antecedência. até porque Para além do mais, tinha previsto ir três dias para fora..."
Pedro Santana Lopes in pedrosantanalopes.blogspot.com
Então o homem já não pode ir três dias para fora que agendam logo um debate. Olha que chatice pá! Lá em S. Bento não podia dormir a sesta, agora em pré-campanha nem um fim de semana prolongado se pode tirar descansado. Irra que a causa pública cansa...
LRO
Profiler
Prometo que ainda antes das eleições traço aqui o perfil ideal de um presidente da câmara para Lisboa. Para já, e porque o tempo urge, o calor aperta e porque já fiz três posts de enfiada, digo-vos só que o meu presidente teria que ter maior domínio da gramática que o Jorge Jesus, domir menos que o Santana Lopes e ser mais atento que Vítor Constâncio. Isto é o mínimo. Porque se quisermos ser exigentes, então teria que ter mais carisma que o Obama, mais peito que a Leticia Casta e escrever melhor que o Lobo Antunes - o das crónicas, porque o dos livros e das entrevistas não percebo nada...
LRO
Especial Verão: Ilhas Pequenas e Remotas #2
Depois de vos ter dado a conhecer a Ilha de Faro neste post, eis que prossigo o Especial de Verão: Ilhas Pequenas e Remotas com este vídeo dedicado a esse clássico das micro-nation que é o Tuvalu. Um tour feito a partir do google earth, impecavelmente musicado com faixas sonoras retiradas da compilação músicas-más-até-para-elevador comprada na Praça de Espanha.
LRO
Embora o cruzamento Tuvalu / compilação músicas-más-até-para-elevador fosse suficiente para garantir a imortalidade a este vídeo, temos ainda aos 3.43s um Fongafalle Atoll Touring.
LRO
28.7.09
Do atum

Tenho registado com agrado a relevância que o atum tem vindo paulatinamente a ganhar na geografia gastronómica portuguesa. Hoje, quando calcorreava as ruas, os meus olhos poisaram na publicidade dessa marca que merece todos os nossos hossanas e descobri um novo produto: hamburgers de atum! Claro que o cidadão comum e os cronistas deste país não compreenderão o alcance deste novo produto ocupados que estão com a Joana e com o Alberto. Se a primeira ainda tem atributos que mereçam a nossa atenção de tempos a tempos, o segundo não tem fisico nem novidade que a justifique. Por isso, tomo em ombros a missão de clarificar a nova ordem económica anunciada: depois de ter tomado de assalto as vendas na Casa das Sandes e estabelecimentos similares sob a forma simplificada ou em pasta (variante com maionese), o atum prepara agora o assalto ao mercado dos hamburgers. É o império da MacDonalds e Burguer King ameaçado de colapso. E com ele todas as forças maléficas do mundo.
Não percebo como é que The Economist não faz já um número especial sobre esta temática.
Claro que há sempre a hipótese dos hamburgers de atum já andarem pelo mercado há um par de anos mas, sendo eu uma personalidade conceituada na análise e degustação de atum, parece-me complicado ter-me passado ao lado tão importante produto. Se tal aconteceu tragam-me já aqui os culpados de tal privação.
LRO
The Enchanted Island That Bergman Called Home
WHEN Ingmar Bergman died on July 30, he left behind three Academy Awards, a legacy as one of the greatest filmmakers of all time — and his home on the tiny island of Faro, Sweden. Population: 572, now 571.
Like Bergman, Faro is remote. Getting to the island, off the eastern coast of Sweden, takes a plane, a train or a bus, a car and two ferries. Which is exactly what made it so appealing to the reclusive Bergman.
The Enchanted Island That Bergman Called Home in The New York Times
As ilhas pequenas e remotas são como os animais pequeninos acabadinhos de nascer: é impossível não gostar. Eu, ser de muitas fragilidades, gosto dos citados animais pequeninos acabadinhos de nascer e também das mencionadas ilhas pequenas e remotas. Até porque, como escrevi há apenas duas frases atrás, é impossível não gostar. Em abono da verdade, as ilhas suscitam-me ligeiramente mais interesse que crias mergulhadas em placenta, mas essa preferência para agora não é importante. O importante é o texto que descobri no New York Times sobre a Ilha de Faro, não a nossa, mas a sueca - um montinho rochoso rodeado de água por todos os lados, que para além de acumular as característicos geo-morfológicas que fazem dela uma ilha pequena e remota, tem ainda o bónus de ter sido a casa do Bergman. Para quem não sabe o calibre de situação que acabei de descrever, recorro à comparação: é mais ou menos como se o Manuel de Oliveira tivesse vivido nas Berlengas por muitos e bons anos e nelas tivesse rodado alguma da sua filmatografia mais relevante.
E como é Verão, decidi aqui e agora fazer uma série especial de posts sobre ilhas pequenas e remotas durante os próximos dois meses. Só porque sim e porque neste blog as coisas são à queima roupa e sem arame.
LRO
23.7.09
20.7.09
Sugestão
Este senhor do blog das Catedrais anda a fazer um grande trabalho ao nível tecnico-táctico. Nota-se empenho e domínio do esférico. Faltará saber se tem pulmão...
LRO
16.7.09
O monopólio de FG + SG
"A julgar pelo número de encomendas, pelo número de visitas ao site ultimasreportagens.com, serão poucos os arquitectos a resistir à sedução das imagens de Fernando Guerra que, melhor que ninguém em Portugal, soube compreender “o poder da massificação e da celeridade do consumo mediático” e compreender “ a imagem como instrumento insubstituível da difusão cultural” (11). Inteligentemente usando a arquitectura de Siza como “isco” (12), conquistou uma atenção rara dos arquitectos, estudantes de arquitectura e, não menos importante, das publicações da especialidade. Fernando Guerra parece ter hoje em dia o monopólio das imagens da arquitectura portuguesa criando uma relação de dependência entre arquitectos e editores que não querem ficar de fora do jogo da mediatização. Os arquitectos não só procuram os seus serviços pelas imagens, mas por aquilo que elas potenciam em termos de divulgação e reconhecimento. Dir-se-ia que se não foi fotografado por FG+SG é porque não existe (13). Este incómodo é partilhado por muitos e só aqueles arquitectos suficientemente convictos daquilo que fazem (e para quem, de facto, fazem) verdadeiramente ignoram. No mesmo plano do papel ao da página web, boas ou más arquitecturas (tanto faz) partilham o mesmo glamour da obra elevada à sua condição mediática. Poderá ser por um período efémero (será certamente para a grande maioria), mas esse breve momento de celebração e 15 minutos de fama representará todo o investimento do arquitecto, aparentemente crente num “mundo perfeito” – a metáfora ideal para descrever o tempo que muitos veneram demarcado com rigor entre a conclusão da obra e a consequente entrada do cliente. E o preço a pagar: vultos e sombras, como fantasmas, que habitam casas vazias, sem móveis, sem livros, sem saber por onde ir, circulam de imagem em imagem sem encontrarem um lugar para apropriar e viver."
Pedro Bandeira in Arte Capital
LRO
14.7.09
Santana II
21h22 - Nesta altura uma coligação é uma demonstração de fraqueza.
oi, espera lá! O Santana não está em coligação com o PP? Ah! mas a coligação foi feita há dois meses, quando era d'homem, agora, pelos vistos, é de malta fraquinha, medrosa...
LRO
O Santana está na televisão
21:10 - O túnel do Marquês é um investimento produtivo.
O que é que produz?
21:14 - A culpa do preço do túnel é do Sá Fernades que embargou a obra.
Esta é uma das inverdades que gosto mais. Para quem não saiba, e julgar pelos comentaristas que vagueiam pela internet, o sr. Sá Fernades pôs uma providência cautelar a que o tribunal deu seguimento julgando pertinentes as dúvidas suscitadas no documento, nomeadamente, questões de segurança e ambientais. Os projectistas foram obrigados a rever os projectos pois estes não respondiam aos critérios de segurança e ambientais exigidos para este tipo de estrutura.
21.18 - O túnel do Saldanha liberta a superficie para as pessoas e permite às pessoas com menos recursos que andam em transportes públicos andarem mais depressa .
O problema não são as pessoas com menos recursos, são as pessoas com mais recursos que insistem em utilizar o transporte individual. O túnel significa a promoção deste estilo de mobilidade.
Já volto...
LRO
O mais divertido do mês
Nestes tempos em que andei pelo mundo e pela minha rua mas longe aqui do estaminé, continuei de olho aberto. E nas coisas bonitas que vi e que me divertiram, uma destacou-se pela lata do interveniente e, sobretudo, pelos comentários que suscitou. Quem tiver uns minutos pode ir aqui e depois da noticia ler os comentários se faz favor. Quando pararem de rir podem seguir com a vossa vida.
LRO
21.6.09
16.6.09
Banksy
Qual Bienal de Veneza, qual Summer Exhibition na Tate Modern, esta é a exposição a ver este Verão. Ninguém arranja aí um bilhete para Bristol de ida e volta que eu trato da merenda e da hospedagem?
Não?!
Forretas...
LRO
10.6.09
Da abstenção e do protesto
Como andei envolvido no país real - expressão que a classe política e jornalistica gosta de usar para tudo o que não seja politica e jornalismo - passaram-se as horas para vir aqui ao estaminé deixar a minha extensa e importante reflexão sobre as eleições de domingo.
Duas constações: muita abstenção e muito protesto.Os dois são perigosos porque podem descambar nisto.
À cerca da abstenção - que já se sabe nada tem a ver com o comprometimento civico das pessoas, mas com dados metereológicos: ora sobe quando faz sol porque as pessoas querem ir à praia, ora sobe quando chove porque as pessoas não querem sair de casa, ora sobe quando faz vento porque está desagradável... - parece-me ser uma marca das democracias mais consolidadas e da importância que os intervenientes conseguem transmitir ao acto eleitoral. Eu, por mim, estou lá sempre para pôr a cruzinha, que houve muito homem e mulher que apanhou porrada, foi preso e assassinado para eu poder pôr a dita cruzinha. Quanto a essa nova onda argumentativa de que a abstenção é um voto de protesto contra o sistema vigente, pois... deve ser. Aliás diria até que é uma brilhante estratégia: vou ficar aqui no meu cantinho sem fazer nada para ver se o sistema anota o meu descontamento...
À cerca do protesto e da opinião pública entender estas eleições como uma ocasião para radicalizar as opções e dessa maneira passar uma mensagem junto das forças políticas mais convencionais, eu não tenho nada contra o protesto - antes pelo contrário - mas as pessoas têm que entender que este panorama que ajudaram a construir no parlamento europeu é um protesto que nos pode vir a sair muito caro. Para já, e porque sou um activista, vou ficar muito quietinho na praia à espera que a extrema direita, que tomou de assalto o parlamento europeu, ouça o meu silêncio ensurdecedor.
LRO
Silvio
Este vídeo, que generosamente vos deixei em cima, faz parte da campanha de Silvio Berlusconi para as legislativas de 2008 e sintetiza todo um programa e uma maneira de estar na política. Muito fogo de artíficio e tra-la-la para entreter. Melodia básica, o culto da personalidade e o povo alegre e empenhado na Itália de Silvio. Não há propostas, há o louvor ao salvador.
Gosto especialmente ao 1m56s quando operador de tele-marketing, essa espectacular profissão que povoa os sonhos de qualquer jovem contemporâneo, se levanta para cantar entusiasmado as grandezas de Itália e arrasta atrás de si toda a sala num coro convicto. Um descolar da realidade que esconde no music-hall o paradigma da precaridade laboral tão justamente associado àquela actividade.
LRO
5.6.09
Shell-shaped Nautilus House
Desculpem lá qualquer coisinha mas acho piada a isto.
Estou desculpado? Sim?
Então vamos lá seguir com as nossas vidas e não se fala mais nisso.
LRO
4.6.09
30.5.09
O Pior Emprego do Mundo
Muito se tem falado pela internet dessa grande campanha de marketing que foi O Melhor Emprego Do Mundo onde uma data de meninos e meninos tentou ficar a cuidar de uma ilha paradisiaca com cama e roupa lavada e, ainda, um bom salário ao fim do mês. Pois bem, nós aqui n'O Dobro da Classe, para além de termos uma apurada consciência social, gostamos de estar contra a corrente a apresentamos o Pior Emprego Do Mundo:
LRO
28.5.09
26.5.09
Houve dias...
Houve o Mantorras para um campeonato que acabou, é caso para dizer que nem o calendário o deixa jogar...
Houve uma grande noite, para uma grande notícia...
Houve o primeiro fato de sempre...
Houve poucas horas para um grande trabalho...
Houve um aniversário, haverá um casamento...
É o tempo, é o Verão...
LRO
19.5.09
Toma lá reflexão para começar o dia
Can the OS model be applied to artworks or even exhibitions? In how far does the open source model differ from other forms of artistic collaboration? Is there a new role model for both the artist and the curator in the future? Which (economic) value and impact has expertise in open source production? How could institutions and organisations respond to this trend and create public domains?
Website We-Make_Money-Not-Art
(o nome do website é muito bom!)
LRO
17.5.09
MOS
O estúdio de arquitectura MOS anda a fazer um grande trabalho. Ai anda, anda! Para já é só isto que vos queria transmitir.
LRO
A nossa geração
This post-modern artificiality can be self-deceptive: it suggests that we can take our lives in our own hands, that we and only we are responsible for the live we live. And that is exactly what happens in the dominant, neo-liberal worldview: it reduces the individual personality to a radically atomized indiviuality, one responsible for it's own coherence and functioning but one that at the same time feels no responsibility for anything other than its own functioning.
René Boomkens, Volume 19 Mgazine
E aqui reside a génese de uma certa desilusão que me tem atravessado há uns meses a esta parte em relação à minha geração - jovens que vieram ao mundo nos finais dos anos setenta, principios dos anos oitenta. Grandes sonhos que desaguaram em rotinas pendulares entre o trabalho e o restaurante/praia/esplanada/loja da moda. Grandes ideais que desaguaram em cidadãos onde os problemas dos outros parecem distantes, com pouca ou nenhuma intervenção cívica...
Estarei a generalizar e nessa generalização a ser injusto para muitos. Também não é de descartar que, possivelmente, todo este amansar é um processo geracional que se repetiu antes e irá repetir-se depois, mas vê-lo acontecer diante dos nossos olhos com a nossa geração e os nossos amigos é sempre mais doloroso.
LRO
12.5.09
Coisas bonitas
O empenho em fazer muitas coisas bonitas ao mesmo tempo tem-me impedido de vir aqui. Isso e o Benfica não ser campeão...
LRO
28.4.09
A minha missão é...
...escrever nas próximas semanas uma catadupa de posts focados em desporto, tempo, cinema, música, Benfica, religião, ambiente, cidades, ciência, guerrilha, humor.
Porquê?
Porque embora possa ter muita coisa relevante para dizer - por acaso assim de repente até não tenho mas pesquisa-se e/ou inventa-se que objectivo justifica-o plenamente - o meu intuito é única e exclusivamente deixar o FRJ na última linha do arquivo morto tornando evidente que a sua assiduidade neste blog é provalmente a pior de sempre num blog escrito por dois elementos. Mesmo estando o mundo a atravessar uma crise económica sem paralelo, existir neste momento uma perigosa pandemia e o Santana já ter lançado a sua candidatura à Câmara de Lisboa, achei que seria mais útil para a humanidade canalizar todo o meu intelecto para este objectivo que agora vos expus.
LRO
Isto na ZDB parece-me giro
Entre 18 de Abril e 2 de Maio, a Galeria Zé dos Bois, em colaboração com a LembrAbril, apresenta um núcleo documental que percorre organizações politizadas, informais e partidárias, emergentes das movimentações revolucionárias que inauguraram a democracia portuguesa. Esta mostra inédita e diferenciada por se focar no quadro ideológico da extrema-esquerda, reúne material iconográfico original produzido pelas diferentes forças políticas no momento máximo da sua proliferação.
(...)
Para além do material original apresentado, que se constitui como uma resenha incompleta, optou-se pelo recurso a estratégias de revisitação desta imagética que recuperam o seu sentido efémero. Como tal, as paredes da galeria cobrem-se de pinturas que reproduzem cartazes em tamanho ampliado e outras intervenções murais de grande escala.Em suma, reuniu-se um conjunto de objectos, no intuito de melhor definir um discurso em torno de organismos partidários e forças políticas, que hoje confundimos com a intensidade das suas propostas.
27.4.09
Tom Waits press conference
Adenda: o vídeo é para ver mesmo, mesmo até ao fim. Senão perdem o twist e não percebem nada! O que é chato, não tanto para mim, mas mais para vocês caros leitores impacientes.
LRO
22.4.09
Salazar no 25 Abril
Inaugurar um largo com a nomenclatura de António Oliveira Salazar no dia 25 Abril é d'homem! É d'homem e extremamente inteligente e respeitoso. Aonde? Na terra do senhor em Santa Comba Dão este sábado promovido pela Câmara local que informa que vai haver porco no espeto e tudo!
Isto vai dar merda e depois lá virão os senhores promotores da iniciativa lamentar-se que em Portugal não se respeita a opinião do outro e que a democracia está podre etc... Os comentários à noticia deste evento merecem leitura atenta pela quantidade de parvoíce concentrada.
LRO
19.4.09
A História da Internet
History of the Internet from PICOL on Vimeo.
Andam por aí tipos - e possivelmente tipas também - a fazer infografias animadas muito boas quer a nível estético quer de conteúdo. Depois da animação sobre a crise do sub-prime que ninguém viu (eu tenho maneiras de saber isto, ah pois tenho), deixo aqui mais uma que vos vai passar ao lado sobre a internet e a sucessão de acasos que levou à sua fundação.
LRO
17.4.09
Política de gosto
Quem quis afinal um novo Museu Nacional dos Coches, quando ele está no ambiente adequado, é o museu português mais reputado e com mais visitantes e “o projecto de novo museu não afecta somente o Museu Nacional dos Coches, mas antes constitui um verdadeiro ‘terramoto’ de efeito ricochete na museologia nacional” (como se está a ver no respeitante ao Museu de Arqueologia), termos constantes de uma petição (www.gopetition.com/petitions/salvem-o-museu-dos-coches.html) de que os primeiros signatários são Raquel Henriques da Silva e Nuno Teotónio Pereira? A resposta está na evidência dos factos: a responsabilidade incube à Sociedade Frente Tejo, da esfera do ministério da Economia, e, como na altura assinalei, o contrato com Mendes da Rocha foi assinado por Manuel Pinho, dispensando Pinto Ribeiro.
Sabemos do gosto pessoal de Pinho pela fotografia e como isso o tem levado a uma “política de gosto”, que foi patente nas exposições “Candida Höfer em Portugal” (incluindo esse tão notório edifício que é o Palácio da Horta-Seca, sede do seu ministério) e “A Terra e a Gente” de Vic Muniz, bem como da promiscuidade instalada entre o próprio, instituições públicas ou da área estatal e um banco privado que apoia a fotografia, o Bes. Sabemos também que estranhamente foi o ministério da Economia a apoiar a presença de artistas portugueses na Photo España (dos quais, haverá a notar, “sairia” a dupla escolhida directamente pelo Estado para a representação portuguesa na próxima Bienal de Veneza, João Maria Gusmão e Pedro Paiva). Nomeou ele recentemente a empreendedora e gestora Guta Moura Guedes para conceber o “design estratégico” do próximo Allgarve (uma ridícula iniciativa da sua lavra), e ser responsável pela parte de arte contemporânea – a arte contemporânea na esfera do ministério da Economia?!
Augusto M. Seabra . Síndroma dos Coches
Arte Capital
E com este excerto abro a minha reflexão sobre o Museu dos Coches. Muito se tem escrito na blogosfera e nos jornais sobre a adequação do projecto ao local, a sua pertinência no âmbito do parque de museus nacionais, etc... Eu, sempre lento a entrar nestas questões complexas, decidi começar pelo príncipio e esgravatar a terra em busca da necessidade deste novo museu. Deste esgravatar emergiu a persona por detrás da obra e a constatação que a necessidade desta obra terá mais origem na esfera do ego e do gosto pessoal de um certo ministro que da real necessidade de renovação da instituição museulógica em causa. Temos portanto que se as pulsões de Manuel Pinho apontassem noutra direcção poderíamos estar hoje a discutir o Museu do Automóvel ou da Faiança Portuguesa. Tudo demasiado casuístico e dispendioso num país com tão parcos recursos.
(continua - ou não...)
LRO
Sabemos do gosto pessoal de Pinho pela fotografia e como isso o tem levado a uma “política de gosto”, que foi patente nas exposições “Candida Höfer em Portugal” (incluindo esse tão notório edifício que é o Palácio da Horta-Seca, sede do seu ministério) e “A Terra e a Gente” de Vic Muniz, bem como da promiscuidade instalada entre o próprio, instituições públicas ou da área estatal e um banco privado que apoia a fotografia, o Bes. Sabemos também que estranhamente foi o ministério da Economia a apoiar a presença de artistas portugueses na Photo España (dos quais, haverá a notar, “sairia” a dupla escolhida directamente pelo Estado para a representação portuguesa na próxima Bienal de Veneza, João Maria Gusmão e Pedro Paiva). Nomeou ele recentemente a empreendedora e gestora Guta Moura Guedes para conceber o “design estratégico” do próximo Allgarve (uma ridícula iniciativa da sua lavra), e ser responsável pela parte de arte contemporânea – a arte contemporânea na esfera do ministério da Economia?!
Augusto M. Seabra . Síndroma dos Coches
Arte Capital
E com este excerto abro a minha reflexão sobre o Museu dos Coches. Muito se tem escrito na blogosfera e nos jornais sobre a adequação do projecto ao local, a sua pertinência no âmbito do parque de museus nacionais, etc... Eu, sempre lento a entrar nestas questões complexas, decidi começar pelo príncipio e esgravatar a terra em busca da necessidade deste novo museu. Deste esgravatar emergiu a persona por detrás da obra e a constatação que a necessidade desta obra terá mais origem na esfera do ego e do gosto pessoal de um certo ministro que da real necessidade de renovação da instituição museulógica em causa. Temos portanto que se as pulsões de Manuel Pinho apontassem noutra direcção poderíamos estar hoje a discutir o Museu do Automóvel ou da Faiança Portuguesa. Tudo demasiado casuístico e dispendioso num país com tão parcos recursos.
(continua - ou não...)
LRO
4699 devolutos
Segundo o relatório da primeira fase do plano, existem na cidade [Lisboa] 4699 edifícios devolutos, realidade que a vereadora acredita que só poderá ser revertida se forem estabelecidas "medidas de incentivo" para a colocação dos fogos no mercado.
Público - 17.04.2009
Hoje no Público um artigo e, acima de tudo, um mapa muito interessante sobre edificios devolutos na cidade de Lisboa. Se fizermos uma média conservadora de 4 fogos por edifício temos um impressionante número de 18796 apartamentos devolutos, vazios... A propósito ver esta divertida e irónica proposta dos AUZ desenvolvida à dois anos para a Trienal de Arquitectura de Lisboa.
LRO
Público - 17.04.2009
Hoje no Público um artigo e, acima de tudo, um mapa muito interessante sobre edificios devolutos na cidade de Lisboa. Se fizermos uma média conservadora de 4 fogos por edifício temos um impressionante número de 18796 apartamentos devolutos, vazios... A propósito ver esta divertida e irónica proposta dos AUZ desenvolvida à dois anos para a Trienal de Arquitectura de Lisboa.
LRO
Elementar
Um especialista em droga, doutorado numa boa universidade americana, dizia-me que com o processo das mãos-limpas em Itália, descobriu-se que a máfia financiava campanhas contra a despenalização do comércio da droga. Pessoas bem intencionadas e que pensavam estar a combater a máfia da droga estavam ingenuamente e apenas a assegurar-lhe um futuro próspero.
Luis Campos e Cunha . Público - 17.04.2009
A droga e o seu flagelo reduz-se a uma equação económica muito simples: enquanto o produto for ilegal, e por consequência muito dispendioso, haverá sempre organizações criminosas com lucros astronómicos e capacidade de pôr em prática agressivas estratégias de marketing. No dia em que a droga estiver disponivel nas farmácias passará a ser apenas um problema de responsabilidade individual e de saúde. Elementar.
LRO
Luis Campos e Cunha . Público - 17.04.2009
A droga e o seu flagelo reduz-se a uma equação económica muito simples: enquanto o produto for ilegal, e por consequência muito dispendioso, haverá sempre organizações criminosas com lucros astronómicos e capacidade de pôr em prática agressivas estratégias de marketing. No dia em que a droga estiver disponivel nas farmácias passará a ser apenas um problema de responsabilidade individual e de saúde. Elementar.
LRO
14.4.09
Não há vagar
Ando há que tempos para escrever aqui um pequeno amontoado de palavras devidamente organizado sobre esta tendência da assinatura só com uma letra mas têm-me faltado o vagar embrenhado que estou na espuma dos dias...
LRO
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6 milhões de euros logo pela manhã, pauuu!
Fala-se muito que não há dinheiro e isto e aquilo.
E se este viaduto de 2.000.000€ não tivesse sido feito?
E se este jornal (ver pág. 7 e 8), com uma tiragem de seis mil e quinhentos exemplares, não tivesse sido apoiado em 4.000.000€ (sim leram bem, mas escrevo por extenso para não haver dúvidas: quatro milhões de euros)?
Eram seis milhões em caixa. E ainda são só 10h da manhã, porque se me maceram muito ainda vou aí fuçar na internet e arranjo até ao fim do dia dinheiro para pagar o novo aeroporto de Alcochete.
Bom dia.
LRO
E se este viaduto de 2.000.000€ não tivesse sido feito?
E se este jornal (ver pág. 7 e 8), com uma tiragem de seis mil e quinhentos exemplares, não tivesse sido apoiado em 4.000.000€ (sim leram bem, mas escrevo por extenso para não haver dúvidas: quatro milhões de euros)?
Eram seis milhões em caixa. E ainda são só 10h da manhã, porque se me maceram muito ainda vou aí fuçar na internet e arranjo até ao fim do dia dinheiro para pagar o novo aeroporto de Alcochete.
Bom dia.
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11.4.09
Medics and architects
Sinclair had alluded to this point at the beginning of the evening saying, "there is an analogy between medics and architects: some of us work as plastic surgeons and some of us work in the emergency room."
Leonora Oppenheim, London, UK - 04.10.09
LRO
Leonora Oppenheim, London, UK - 04.10.09
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9.4.09
No quiosque
Toy faz teste de paternidade para confirmar se é pai de uma criança filha de uma cabeleireira.
Jornal 24 horas - 09.04.2009
Isto é o tipo de noticia que me parece de extrema relevância e que não consigo compreender como é que só o 24 Horas lhe dá o devido destaque colocando-a na capa! Não queria sublinhar o óbvio mas às vezes é necessário, o acontecimento é especialmente pertinente porque se trata do Toy - esse mito vivo da cultura portuguesa - e de uma criança filha de uma cabeleireira, pois caso esta fosse, sei lá, filha de uma advogada ou de uma farmacêutica tinha muito menos interesse. Isto são critérios editoriais básicos, eu diria quase senso comum mas, dada a ausência da noticia nas capas dos outros jornais, creio que só eu e a equipa do 24 Horas os compreendemos.
LRO
Jornal 24 horas - 09.04.2009
Isto é o tipo de noticia que me parece de extrema relevância e que não consigo compreender como é que só o 24 Horas lhe dá o devido destaque colocando-a na capa! Não queria sublinhar o óbvio mas às vezes é necessário, o acontecimento é especialmente pertinente porque se trata do Toy - esse mito vivo da cultura portuguesa - e de uma criança filha de uma cabeleireira, pois caso esta fosse, sei lá, filha de uma advogada ou de uma farmacêutica tinha muito menos interesse. Isto são critérios editoriais básicos, eu diria quase senso comum mas, dada a ausência da noticia nas capas dos outros jornais, creio que só eu e a equipa do 24 Horas os compreendemos.
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8.4.09
700.000
Today marks the 10th anniversary of Architecture for Humanity. You read that right; it has been ten years since we first invited building professionals to design like they give a damn.
These days when I look at the diversity and range of work on the Architecture for Humanity project board, it can feel overwhelming. But it only takes a moment to be reminded why we do this work - a thankful hug from a client, an ingenious detail that allows clean drinking water or a project that galvanized a community. Design truly has the power to bring people together.
Today, Architecture for Humanity is a truly global organization. Our network includes 40,000 professionals and 70 chapters in 28 countries. Collectively more than 700,000 people are living, teaching, healing and gathering in buildings designed by Architecture for Humanity design fellows, chapter members and volunteers.
Cameron Sinclair . Co-Founder and Eternal Optimist - 06.04.2009
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These days when I look at the diversity and range of work on the Architecture for Humanity project board, it can feel overwhelming. But it only takes a moment to be reminded why we do this work - a thankful hug from a client, an ingenious detail that allows clean drinking water or a project that galvanized a community. Design truly has the power to bring people together.
Today, Architecture for Humanity is a truly global organization. Our network includes 40,000 professionals and 70 chapters in 28 countries. Collectively more than 700,000 people are living, teaching, healing and gathering in buildings designed by Architecture for Humanity design fellows, chapter members and volunteers.
Cameron Sinclair . Co-Founder and Eternal Optimist - 06.04.2009
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7.4.09
Sou parvo
Um erro. Eu sabia que seria um erro dada a fauna intelectualmente sofisticada, mas mesmo assim fui em frente justificando o título deste post e aflorei a minha falta de entusiasmo pela pintura no âmbito da arte contemporânea. Sobrevivi... mas por pouco. A percepção geral da minhas capacidades mentais nem por isso. E teatro... uiui... não vamos por aí pois, dado o valor de actores, dramaturgos e encenadores na equação cultural lusitana, nem o degredo nas Berlengas me iria salvar. Posso ser parvo, mas ainda tenho uma réstia de instinto de sobrevivência.
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Quando a terra treme...
... a lembrança que estamos sempre dependentes dos humores da natureza emerge.
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6.4.09
Quiosques 2.0
A Câmara de Lisboa lançou um concurso para a exploração de seis quiosques na Avenida da Liberdade, para substituir os que existiam até há pouco tempo.Cada um dos quiosques deverá ter uma área temática: um deles servirá chocolates, chás e cafés; outro saladas, frutos e sumos naturais; um terceiro será dedicado aos vinhos, queijos e enchidos; haverá ainda uma esplanada de petiscos e tapas, um quiosque-cervejaria e, por fim, o último espaço pode estar subordinado ao tema que o concessionário entender. Todos os quiosques terão Internet sem fios gratuita.
(...)
Para mais breve - daqui a cerca de uma semana - está a abertura dos quiosques de refrescos tradicionais do Largo do Camões, do Príncipe Real e do Jardim das Flores, concessionados a Catarina Portas. Limonadas, capilés e groselhas prometem ajudar a suportar os calores do Verão. Tudo receitas caseiras: as marcas existentes no mercado não agradaram à jornalista e empresária por causa dos aromas artificiais. Para acompanhar haverá sanduíches também tradicionais: nuns dias de pasta de grão com bacalhau desfiado, noutros de pasta de sardinha ou de marmelada com queijo. (...) Irão estar abertos praticamente todos os dias do ano das 7h30 à meia-noite, à excepção do do Largo do Camões, que encerrará uma hora mais tarde, devido à proximidade do Bairro Alto. Cerveja é que não haverá por aqui, garante a empresária, que propõe como alternativas o leite perfumado - leite fervido com canela e limão e servido muito gelado -, a ginjinha, o Licor Beirão, o vinho do Porto e a amêndoa amarga.
Ana Henriques 31.03.2009
Parece-me bem este upgrade generalizado da tipologia quiosque. Ainda que o leite fervido para depois ser servido muito gelado seja muito pouco ecológico. A merecer uma correção. Em compensação a ginjinha, o Licor Beirão e a amêndoa amarga já estavam a precisar desta distinção e agradece-se a sua disponibilização na via pública.
LRO
(...)
Para mais breve - daqui a cerca de uma semana - está a abertura dos quiosques de refrescos tradicionais do Largo do Camões, do Príncipe Real e do Jardim das Flores, concessionados a Catarina Portas. Limonadas, capilés e groselhas prometem ajudar a suportar os calores do Verão. Tudo receitas caseiras: as marcas existentes no mercado não agradaram à jornalista e empresária por causa dos aromas artificiais. Para acompanhar haverá sanduíches também tradicionais: nuns dias de pasta de grão com bacalhau desfiado, noutros de pasta de sardinha ou de marmelada com queijo. (...) Irão estar abertos praticamente todos os dias do ano das 7h30 à meia-noite, à excepção do do Largo do Camões, que encerrará uma hora mais tarde, devido à proximidade do Bairro Alto. Cerveja é que não haverá por aqui, garante a empresária, que propõe como alternativas o leite perfumado - leite fervido com canela e limão e servido muito gelado -, a ginjinha, o Licor Beirão, o vinho do Porto e a amêndoa amarga.
Ana Henriques 31.03.2009
Parece-me bem este upgrade generalizado da tipologia quiosque. Ainda que o leite fervido para depois ser servido muito gelado seja muito pouco ecológico. A merecer uma correção. Em compensação a ginjinha, o Licor Beirão e a amêndoa amarga já estavam a precisar desta distinção e agradece-se a sua disponibilização na via pública.
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Do Expresso
Ele pensava que controlava o mercado do trabalho temporário, habituara-se a viver na precariedade e na incerteza. No pavor da conta por pagar, das cobranças dos impostos. Da chegada do correio. E durante uns tempos aguentou-se sem problemas, aparecia sempre qualquer coisa que o salvava à beira do abismo. Movimentava-se com elegância neste universo de faz de conta, não se queixava, quase consolava os amigos que lhe diziam tens de arranjar qualquer coisa, tens de arranjar qualquer coisa. Ninguém dizia o quê. Nem como. Com o tempo os amigos deixaram de acreditar e compraram-lhe o que puderam para o ajudar. No tempo em que se revoltava recusava-se a ficar em casa a olhar para as paredes e corria a cidade em pequenas tarefas mobilizadoras que não lhe rendiam um tostão e lhe davam a ilusão de uma rotina. Depois vieram os comprimidos, para acalmar, para tapar a angústia.
E agora, pacificado, resignado, deixa-se ficar a olhar para as paredes, concebe um projecto ou outro, vago, vago, e abomina a manhã e o movimento. Como não tem carro, desloca-se pouco. Bate a cidade como um estrangeiro dentro dela e volta para casa. Ninguém acredita que vá arranjar qualquer coisa e ele também deixou de acreditar. O desemprego colou-se à pele. Lembro-me de o ver trabalhar, muito. Como tantos outros, desistiu.
Clara Ferreira Alves . Expresso
De sublinhar esta crónica da Clara Ferreira Alves na última edição do Expresso. Crua, dura... como é a realidade para alguns.
LRO
E agora, pacificado, resignado, deixa-se ficar a olhar para as paredes, concebe um projecto ou outro, vago, vago, e abomina a manhã e o movimento. Como não tem carro, desloca-se pouco. Bate a cidade como um estrangeiro dentro dela e volta para casa. Ninguém acredita que vá arranjar qualquer coisa e ele também deixou de acreditar. O desemprego colou-se à pele. Lembro-me de o ver trabalhar, muito. Como tantos outros, desistiu.
Clara Ferreira Alves . Expresso
De sublinhar esta crónica da Clara Ferreira Alves na última edição do Expresso. Crua, dura... como é a realidade para alguns.
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3.4.09
Edital
A gerência informa que a minha pessoa irá postar também aqui, aliás já o andava a fazer à algum tempo mas não vos contei porque não me apeteceu. Irá haver posts em stereo nos dois estaminés e posts que só virão à tona deste lado e outros que só chegarão à superfície no outro quadrante. No entanto, será sempre com a excelência de conteúdos e a fina prosa que se reconhece. Ou não...
Por falar em excelência de conteúdos, vou comer croquetes e beber uma mini.
Bom fim de semana.
LRO
Por falar em excelência de conteúdos, vou comer croquetes e beber uma mini.
Bom fim de semana.
LRO
2.4.09
Absence of Water

Absence Of Water . Gigi Cifali
A propósito do post anterior e da imagem romântica de piscinas abandonadas à voragem do tempo, lembrei-me de um trabalho de um fotógrafo que tinha visto há uns meses precisamente sobre esta temática e fui à internet desencantar o dito portofolio só porque gosto muito de vocês todos sem excepção e, especialmente, de perder tempo a mostrar-vos coisas bonitas. Ah! como é bom perder tempo a mostrar-vos coisas bonitas...
Às vezes só complicam...
LRO
O Jardim da Água Ausente
A Câmara de Lisboa vai promover um concurso de ideias para decidir a futura utilização dos antigos terrenos do Aquaparque, um espaço que será inicialmente aberto ao público como jardim, revelou hoje o vereador do Ambiente, Sá Fernandes.
O objectivo é abrir o antigo parque de diversões do Restelo ao público em Setembro, depois de pequenas obras de limpeza e requalificação, ao mesmo tempo que será lançado um concurso de ideias para decidir a sua futura utilização.
Lusa/SOL
Esta é uma acção que merece o nosso aplauso e de todos os skaters e in-liners que se poderão deleitar com as sensuais curvas das piscinas vazias. É mais uma com a marca do Zé. Cada vez me convenço mais que o Bloco de Esquerda deu um grande tiro no pé ao retirar o apoio ao melhor vereador que a Câmara Municipal de Lisboa teve em muitos anos. Ah! e em Setembro, não fique o concurso na secretaria, não faltarei à chamada e lá estarei a apresentar ideias.
LRO
O objectivo é abrir o antigo parque de diversões do Restelo ao público em Setembro, depois de pequenas obras de limpeza e requalificação, ao mesmo tempo que será lançado um concurso de ideias para decidir a sua futura utilização.
Lusa/SOL
Esta é uma acção que merece o nosso aplauso e de todos os skaters e in-liners que se poderão deleitar com as sensuais curvas das piscinas vazias. É mais uma com a marca do Zé. Cada vez me convenço mais que o Bloco de Esquerda deu um grande tiro no pé ao retirar o apoio ao melhor vereador que a Câmara Municipal de Lisboa teve em muitos anos. Ah! e em Setembro, não fique o concurso na secretaria, não faltarei à chamada e lá estarei a apresentar ideias.
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1.4.09
Banqueiro branco de olho azul
O Lula da Silva - político que muito me apraz - cedeu às generalizações e agora tem que levar com esta. E ainda havia uma longa lista no mesmo continente desta senhora e na ásia para engordar um gigantesco desmentido pelas evidências. Mas como é o Lula perdoa-se o deslize retórico. Mas não repitas pá.

Isabel dos Santos
(roubado ao Arrastão que por sua vez o roubou a um comentador)
LRO

Isabel dos Santos
(roubado ao Arrastão que por sua vez o roubou a um comentador)
LRO
Sink or swim
The new head of AIG says in the NY Times: “We cannot attract and retain the best and the brightest talent to lead and staff the A.I.G. businesses — which are now being operated principally on behalf of American taxpayers — if employees believe their compensation is subject to continued and arbitrary adjustment by the U.S. Treasury.” [Link]
In other words, his type of executives will leave to work for the highest bidder — the implication being that they have no loyalty to either AIG or to the taxpayer. They don’t really love their work — they just love the money and perks. They’re not even accepting bonuses based on performance! These guys don’t believe their own “market forces” bullshit when it comes to their pay — they expect a bonus no matter how bad they are at doing their jobs! Can I get a job like that?
David Byrne in journal.davidbyrne.com
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In other words, his type of executives will leave to work for the highest bidder — the implication being that they have no loyalty to either AIG or to the taxpayer. They don’t really love their work — they just love the money and perks. They’re not even accepting bonuses based on performance! These guys don’t believe their own “market forces” bullshit when it comes to their pay — they expect a bonus no matter how bad they are at doing their jobs! Can I get a job like that?
David Byrne in journal.davidbyrne.com
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27.3.09
EfficienCity
Se a animação que agora vos dou conhecer no site da Greenpeace UK não é uma grande peça de comunicação intuitiva e pedagógica sobre sustentabilidade, então meus amigos não sei o que será uma grande peça de comunicação intuitiva e pedagógica sobre sustentabilidade.
Por agora estamos conversados.
LRO
Por agora estamos conversados.
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26.3.09
Da desigualdade
Que haja desigualdades sociais não me surpreende. É uma lei da sociedade que apenas replica o que já existe na natureza, onde há animais que levam uma santa vidinha com alimento e sexo à barda sem necessidade de grande esforço para merecer tal destino, e outros que levam uma existência de sacrificio à mercê de predadores, meses de jejum e longas jornadas migratórias para perpetuar a espécie.
O que me espanta e que me causa alguns engodos no estômago e comichão no cerebelo é que haja alguns meninos e meninas que ocupando o topo da pirâmide sejam sistematicamente contra as medidas que visam minorar as desigualdades como o rendimento mínimo garantido, habitação social, subsídio desemprego... O principal argumento é que estas medidas de ajuda apenas fomentam uma população ociosa, como se as falhas no sistema habilmente aproveitadas por alguns justificasse por si só a sua erradicação. Esta postura mais não faz do que ajudar a cavar o fosso social entre aqueles que pelo pedigree, a fortuna ou competência estão lá em cima e os outros, aqueles que pelo nascimento, falta de cabeça ou destino estão cá em baixo com todas as consequências que esse alongar da pirâmide acarreta.
LRO
O que me espanta e que me causa alguns engodos no estômago e comichão no cerebelo é que haja alguns meninos e meninas que ocupando o topo da pirâmide sejam sistematicamente contra as medidas que visam minorar as desigualdades como o rendimento mínimo garantido, habitação social, subsídio desemprego... O principal argumento é que estas medidas de ajuda apenas fomentam uma população ociosa, como se as falhas no sistema habilmente aproveitadas por alguns justificasse por si só a sua erradicação. Esta postura mais não faz do que ajudar a cavar o fosso social entre aqueles que pelo pedigree, a fortuna ou competência estão lá em cima e os outros, aqueles que pelo nascimento, falta de cabeça ou destino estão cá em baixo com todas as consequências que esse alongar da pirâmide acarreta.
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Óbvias vantagens
Hoje a caminho do atelier o segurança do Hospital S. José ao telemóvel: durante três meses não pinoquei ninguém, ninguém, ninguém, ninguém... - e afastei-me continuando a ouvir - ninguém, ninguém...
É por estas e por outras que devemos ir para o local de trabalho por meios que promovam a interacção humana, somos surpreendidos todos os dias e há óbvias vantagens ambientais.
LRO
É por estas e por outras que devemos ir para o local de trabalho por meios que promovam a interacção humana, somos surpreendidos todos os dias e há óbvias vantagens ambientais.
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25.3.09
Da irrelevância
No lastro da web 2.0 têm florido uma serie de eventos que estruturam exclusivamente os seus conteúdos em autopropostas. A receita é muito simples: no caso da internet faz-se um interface e espera-se que os cibernautas façam o upload de informação; no caso de acções ao vivo ou material impresso, cria-se uma fórmula e espera-se que a pro-actividade das pessoas faça chegar à organização catadupas de propostas. Regra geral as catadupas nunca chegam e os resultados são medíocres.
Na minha óptica, dois factores são fundamentais para este desenlace. O primeiro é que a força motriz destes mecanismos, mais do que uma genuína vontade em abrir a antena a novos talentos, é a maioria das vezes a preguiça da organização na prospecção e selecção de conteúdos. Deixando à fortuna o que à competência e dedicação devia pertencer. O segundo é a convicção generalizada com o advento do youtube, do flickr, da blogsfera... que existe toda uma imensa população desconhecida a produzir coisas bonitas e com tempo e vontade de as apresentar ao mundo. Pois bem, bastará uma análise superficial a este universo uploaded-it-yourself para se perceber que apenas uma ínfima parte do que é produzido/apresentado tem alguma relevância. O resto é lixo.
Abrir a antena a autopropostas é positivo. Dar espaço a sangue novo é desejável. Criar directórios abertos a inputs descentralizados recomendável. Agora não escorar estes mecanismos de acesso democrático em investigação prévia, processos de pré-selecção em determinados casos, convites directos em paralelo e eventuais estímulos a quem se chega à frente é um passo na direcção da irrelevância e da pouca participação.
Vem esta reflexão a propósito do relançamento do directório online http://www.acasadavizinha.eu/ e da lamentação de José Adrião nas páginas do JA (Jornal dos Arquitectos) a propósito da pouca participação no Vírus - um suplemento aberto a contribuições externas da mesma publicação.
LRO
Na minha óptica, dois factores são fundamentais para este desenlace. O primeiro é que a força motriz destes mecanismos, mais do que uma genuína vontade em abrir a antena a novos talentos, é a maioria das vezes a preguiça da organização na prospecção e selecção de conteúdos. Deixando à fortuna o que à competência e dedicação devia pertencer. O segundo é a convicção generalizada com o advento do youtube, do flickr, da blogsfera... que existe toda uma imensa população desconhecida a produzir coisas bonitas e com tempo e vontade de as apresentar ao mundo. Pois bem, bastará uma análise superficial a este universo uploaded-it-yourself para se perceber que apenas uma ínfima parte do que é produzido/apresentado tem alguma relevância. O resto é lixo.
Abrir a antena a autopropostas é positivo. Dar espaço a sangue novo é desejável. Criar directórios abertos a inputs descentralizados recomendável. Agora não escorar estes mecanismos de acesso democrático em investigação prévia, processos de pré-selecção em determinados casos, convites directos em paralelo e eventuais estímulos a quem se chega à frente é um passo na direcção da irrelevância e da pouca participação.
Vem esta reflexão a propósito do relançamento do directório online http://www.acasadavizinha.eu/ e da lamentação de José Adrião nas páginas do JA (Jornal dos Arquitectos) a propósito da pouca participação no Vírus - um suplemento aberto a contribuições externas da mesma publicação.
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Pedro Costa na The Architecture Foundation
Juventude em Marcha . Pedro Costa
Para quem estiver por Londres, esta segunda-feira às 19h na The Architecture Foundation, vai haver a projecção de Juventude em Marcha, filme do nosso mais radical realizador: Pedro Costa.
Eu ainda não vi, mas isso não me impede de sugerir a sua visualização.
Ou impede?
Claro que não.
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10 kms e 200 decisões por jogo
Amadores num mundo de profissionais, os árbitros são também seres solitários. Correm cerca de dez quilómetros em cada encontro, tomam perto de 200 decisões em cada 90 minutos, têm permanentemente de vigiar uma área de um hectare, onde muitas vezes, como destaca Luís Guilherme, os jogadores "os tentam enganar com simulações". "Do princípio ao fim do jogo, suando oceanos, o árbitro está obrigado a perseguir a bola branca que vai e vem entre os pés alheios. É evidente que adoraria jogar com ela, mas essa graça nunca lhe foi concedida. Quando a bola, por acidente, lhe toca no corpo, todo o público recorda a sua mãe", escreveu Galeano, no seu livro Futebol, Sol e Sombra, o mesmo em que deixou gravada mais uma verdade que parece eterna: "Bode expiatório de todos os erros, explicação de todas as desgraças, os adeptos teriam de o inventar se ele não existisse. Quanto mais o odeiam, mais dele necessitam."
Hugo Daniel Sousa . Público 24.03.2009
Um excerto de um artigo que vale a pena ler do Hugo Sousa sobre a arbitragem. O tom e o conteúdo no quadrante oposto da verborreia que tem atravessado jornais, paineleiros e blogsfera desde o fatídico penalty.
LRO
Hugo Daniel Sousa . Público 24.03.2009
Um excerto de um artigo que vale a pena ler do Hugo Sousa sobre a arbitragem. O tom e o conteúdo no quadrante oposto da verborreia que tem atravessado jornais, paineleiros e blogsfera desde o fatídico penalty.
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24.3.09
20.3.09
The 20 coolest camp sites in Europe
Gosto de acampar, de dormir a sesta à tarde debaixo da sombra protectora de um pinheiro gigante, descobrir o sorriso de um casal a estrear a tenda, emprestar um abre-latas, pedir um isqueiro, fazer atum com feijão frade, dobrar a minha casa, aconchegar-me no saco-cama, reduzir a existência ao mínimo...
Vem este intróito a propósito de The 20 coolest camp sites in Europe . Ide e vede o parque de campismo distinguido em primeiro lugar se faz favor. E já agora o segundo também.
LRO
Vem este intróito a propósito de The 20 coolest camp sites in Europe . Ide e vede o parque de campismo distinguido em primeiro lugar se faz favor. E já agora o segundo também.
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19.3.09
O Vaticano
Os menos informados julgarão que o Papa se pronunciou sobre os preservativos e a sua ineficácia na luta conta a Sida por estar de visita a África. Os mais atentos saberão, no entanto, que a opinião de Bento XVI é uma resposta directa a este post. Fico sempre admirado com alcance deste blog. Já não bastava ter posto fora de acção o Antunes agora ainda tenho direito a contraditório de Sua Eminência.
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Da Baixa
A Baixa tem estado sujeita a restrições ao nível da sua mobilidade. Uma estratégia posta em prática pelo Câmara Municipal de Lisboa com intuito duplo de resolver os contrangimentos impostos pelas obras no Terreiro do Paço e testar a solução de transferência do trânsito paralelo ao rio para a Rua do Arsenal de modo definitivo. As três pessoas que lêem regularmente este blog sabem das minhas reticências em relação a tal solução. Pois bem, com o espirito democrático e generoso que caracteriza a minha postura perante planos urbanos que avançam com soluções alternativas ao status quo - sobretudo aqueles que privilegiam o peão em detrimento do automóvel - deixei passar umas semanas antes de me considerar apto a pronunciar sobre o(s) resultado(s).
Pois bem, as ditas semanas passaram e o meu balanço é... tocam os tambores... resulta mais ou menos. Calma, calma... eu sei que isto é uma opinião muito fraquinha - mais ou menos! Que raio de opinião é esta! Ou resulta ou não resulta. Mas a vida, como os resultados das nossas acções, não é preto e branco como os filmes do Van Damme - onde os maus são mesmo maus e os bonzinhos são seres imaculados e sofridos. A vida é cinzenta, dos tons mais escuros aos mais claros. Este plano diria que é cinzento meio da tabela. E porquê? Porque resolve um problema que é o trânsito de atravessamento da Baixa no sentido Rio / Marquês de Pombal - há incomparavelmente menos trânsito o que se traduz na diminuição da poluição atmosférica e, sobretudo, sonora. Chegados a este ponto parece-me importante informar que trabalho na Baixa e, por isso, estou-me a reportar à minha experiência diária e não a uma qualquer impressão sacada numa visita esporádica. É de sublinhar que a re-pavimentação das principais vias das Baixa foi também um factor determinante para o abaixamento dos níveis de ruído. Os automóveis antes picaretas andantes, parecem agora deslizar suavemente pelo asfalto. O senão deste teste tem sido como já desconfiava a resolução do trânsito paralelo ao rio. As filas no Campo das Cebolas e no Cais do Sodré tem sido assíduas e o Terreiro do Paço com o trânsito que dantes passava junto ao rio agora a passar junto ao arco da Rua Augusta não está menos tranquilo.
Concluindo, temos um empate 1-1. Haja agora clarividência para os senhores do plano manterem o que resulta e modificar o que manifestamente não funciona. Isto pode parecer fácil ao comum dos mortais, mas os senhores do plano regra geral são pouco adeptos do senso comum e de facilidades.
LRO
Pois bem, as ditas semanas passaram e o meu balanço é... tocam os tambores... resulta mais ou menos. Calma, calma... eu sei que isto é uma opinião muito fraquinha - mais ou menos! Que raio de opinião é esta! Ou resulta ou não resulta. Mas a vida, como os resultados das nossas acções, não é preto e branco como os filmes do Van Damme - onde os maus são mesmo maus e os bonzinhos são seres imaculados e sofridos. A vida é cinzenta, dos tons mais escuros aos mais claros. Este plano diria que é cinzento meio da tabela. E porquê? Porque resolve um problema que é o trânsito de atravessamento da Baixa no sentido Rio / Marquês de Pombal - há incomparavelmente menos trânsito o que se traduz na diminuição da poluição atmosférica e, sobretudo, sonora. Chegados a este ponto parece-me importante informar que trabalho na Baixa e, por isso, estou-me a reportar à minha experiência diária e não a uma qualquer impressão sacada numa visita esporádica. É de sublinhar que a re-pavimentação das principais vias das Baixa foi também um factor determinante para o abaixamento dos níveis de ruído. Os automóveis antes picaretas andantes, parecem agora deslizar suavemente pelo asfalto. O senão deste teste tem sido como já desconfiava a resolução do trânsito paralelo ao rio. As filas no Campo das Cebolas e no Cais do Sodré tem sido assíduas e o Terreiro do Paço com o trânsito que dantes passava junto ao rio agora a passar junto ao arco da Rua Augusta não está menos tranquilo.
Concluindo, temos um empate 1-1. Haja agora clarividência para os senhores do plano manterem o que resulta e modificar o que manifestamente não funciona. Isto pode parecer fácil ao comum dos mortais, mas os senhores do plano regra geral são pouco adeptos do senso comum e de facilidades.
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